Política

Defesa de Lulinha diz que inquéritos já teriam sido arquivados se ele não fosse filho de Lula

Marco Aurélio de Carvalho afirma que inquéritos seriam arquivados se Lulinha não fosse filho de Lula, destacando a influência do sobrenome  |  Ricardo Stuckert / PR / Arquivo

Publicado em 20/08/2026, às 18h09   Ricardo Stuckert / PR / Arquivo   Davi Lemos

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, responsável pela defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, afirmou nesta quinta-feira (20) que as investigações envolvendo o filho do presidente Lula (PT) já teriam sido encerradas caso ele não tivesse parentesco com o chefe do Executivo. A declaração foi dada durante entrevista ao GloboNews Mais.

“Se o Fábio Luís não fosse filho do presidente Lula, se fosse com qualquer uma das pessoas que estão nos acompanhando, esse inquérito teria sido arquivado. Ele carrega o peso de um sobrenome”, declarou o advogado.

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A manifestação ocorre após a Procuradoria-Geral da República (PGR) defender o envio à primeira instância dos inquéritos sobre Lulinha que estão sob a relatoria do ministro André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com a defesa, a PGR argumentou que, como as apurações não envolvem investigados com foro por prerrogativa de função, não há razão para que permaneçam no Supremo.

Lulinha é investigado em três inquéritos autorizados pelo STF a pedido da Polícia Federal (PF), abertos a partir de desdobramentos da Operação Sem Desconto, que apura fraudes relacionadas a descontos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O empresário não é acusado de participação no esquema de descontos indevidos, mas é investigado por suspeitas de tráfico de influência e corrupção.

Carvalho afirmou ter recebido a manifestação da PGR “com alegria”, porém “sem surpresa”, e ressaltou que a defesa já sustentava havia meses a necessidade de remeter as investigações à primeira instância. Segundo ele, o presidente Lula não pretende que o filho receba tratamento diferenciado, mas também não seria aceitável submetê-lo a maior rigor por causa do vínculo familiar.

Durante a entrevista, o advogado também comparou a situação à postura do ex-presidente Jair Bolsonaro em relação à Polícia Federal. “O Bolsonaro mudou os superintendentes da Polícia Federal para proteger os seus filhos, para proteger o 01, 02, 03 e o 04, para proteger a sua família, primos e afins, para proteger os seus amigos e os milicianos com os quais ele governou o país”, afirmou. Carvalho acrescentou que, em sua avaliação, parte da repercussão sobre a manifestação da PGR decorre de uma tentativa de exploração política do caso.

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