Política
Publicado em 20/06/2026, às 16h44 Reprodução/Instagram @delubiosoares13 Héber Araújo
O ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, que foi preso no escândalo do mensalão, assumiu, em entrevista à Folha de São Paulo, a responsabilidade pelo caso e disse não se arrepender de nada. Ainda segundo ele, as ações que praticou e foram investigadas na investigação eram de sua responsabilidade, mas que “não houve crime”.
Ainda na entrevista, o petista defendeu sua inocência e alegou que foi a investigação do mensalão que levou a perseguição política do PT. Apesar disso, o ex-tesoureiro confirmou a existência de um Caixa 2 em campanhas políticas de filiados ao PT e assumiu a responsabilidade pela prática.
“As pessoas queriam que eu citasse nome de pessoa A, pessoa B, empresa A, empresa B. Mas não existiu, como é que eu vou falar? Quando você é responsável pelas finanças de um partido ou de uma empresa você tem que assumir um tipo de responsabilidade. A do presidente Lula é de governar o país. A do partido, de fazer articulações políticas. A minha, de encontrar uma solução, e foi a que eu encontrei no momento”, declarou Delúbio.
“Eu não me arrependo de nada porque não fizemos nada de errado. Não coloquei a culpa em ninguém porque fazia parte do momento político, que foi totalmente superado. Sou uma pessoa sem mágoas, nunca tive mágoa de ninguém, mesmo quando fui preso”, completou.
Devido ao mensalão, foi condenado a 6 anos e 8 meses de prisão por corrupção ativa, tendo cumprido pena por mais de dois anos, sendo uma deles em regime domiciliar. Delúbio recebeu indulto pela condenação em 2016, dois anos depois foi condenado a 6 anos por empréstimos fraudulentos na investigação da Lava Jato.
“Também fui condenado na Lava Jato por uma suposição, de que eu teria pedido empréstimo ao Banco Schahin, e não era verdade. Fiquei passando frio numa cela em Curitiba, cheia de ratos e baratas”, disse o ex-tesoureiro, que também teve a pena anulada pela Justiça Eleitoral.
Ainda para a Folha de São Paulo, Delúbio contou que, em 2010, quando estava expulso do Partido dos Trabalhadores, ele recebeu convites para se lançar candidato nas eleições daquele ano. Segundo ele, os convites foram feltros por treze partidos diferentes, mas decidiu recusar para se manter disponível para o PT.
“Eu sou um fundador do PT. Nasci na política [...] o PT faz parte da minha vida e eu faço parte da vida do PT”, declarou.
E é pelo PT que o ex-tesoureiro de 70 anos vai lançar candidatura a deputado federal pelo estado de Goiás nas eleições deste ano. “Quero estar no Congresso para ajudar Lula a governar. Não adianta ficar brigando com o Congresso se você não se dispõe a ser candidato. Além disso, precisamos aumentar a bancada progressista de Goiás”.