Política
Publicado em 20/08/2026, às 17h31 Leitor BNews Henrique Brinco
A confusão envolvendo Diego Castro (PL) nesta quinta-feira (20) pode ter desdobramentos mais sérios na Assembleia Legislativa a Bahia (Alba). O deputado estadual Hilton Coelho (PSOL) protocolou, no final da tarde, uma representação no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar pedindo a cassação do mandato do bolsonarista em razão do episódio ocorrido na Faculdade de Comunicação da UFBA.
Segundo a representação, o parlamentar, acompanhado de sua equipe de segurança, teria protagonizado uma ação "marcada por intimidação e agressões contra estudantes e integrantes da comunidade acadêmica". O documento relata ainda a agressão física ao estudante Tobias Muniz e ameaças e desrespeito ao diretor da Facom, professor Washington Souza Filho.
Hilton sustenta que as condutas relatadas configuram quebra de decoro parlamentar e pede a abertura de processo disciplinar, com a coleta das imagens das câmeras de segurança, boletim de ocorrência, laudo pericial e depoimentos das vítimas e testemunhas.
“A imunidade parlamentar não pode ser utilizada como autorização para violência e intimidação dentro de uma universidade pública. Se as condutas forem confirmadas, estamos diante de uma grave quebra de decoro parlamentar, que exige responsabilização”, afirmou Hilton, em nota.
Ao final da representação, o deputado pede que, após a instrução do processo, seja aplicada a penalidade de perda do mandato por quebra de decoro parlamentar, conforme previsto nas normas da Assembleia.
Em nota, a UFBA lamentou o episódio. "A movimentação do parlamentar e de sua equipe perturbou, de forma truculenta, a rotina acadêmica da Universidade, tendo resultado na interrupção do ato de recepção aos calouros do semestre letivo, a partir de uma atitude de confronto, verbal e físico, direcionada a estudantes, técnicos administrativos e professores, bem como aos profissionais terceirizados responsáveis pela segurança", afirmou a instituição.
Em entrevista ao Bnews, Diego Castro afirmou que foi ao local após receber uma denúncia sobre a presença de adesivos em apoio ao governador Jerônimo Rodrigues (PT) e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Quando eu cheguei lá, me deparei realmente com o equipamento todo adesivado e comecei a fazer a remoção dos adesivos. Quando chegou em um determinado local que eu subi para verificar se tinha adesivos, eu fui abordado por um estudante — na verdade, era um militante político — que começou a me intimidar. Começou a botar o dedo na minha cara, questionando o que eu estava fazendo ali, e de repente, quando olhei para trás, já tinham centenas de pessoas”, declarou o parlamentar.