Política
Publicado em 03/09/2025, às 11h42 - Atualizado às 11h43 Reprodução / BNews Daniel Serrano e Humberto Sampaio
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta quarta-feira (3) o segundo dia do julgamento dos réus que integram o núcleo 1 do inquérito da trama golpista, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Mesmo antes do fim do julgamento, integrantes do Centrão e da direita no Congresso Nacional já estão se movimentando para aprovar um projeto para conceder anistia a Bolsonaro e aos demais envolvidos com a tentativa de golpe de Estado.
Em entrevista ao BNews, o deputado federal Daniel Almeida (PCdoB-BA) disse que a tentativa de anistiar o ex-presidente é uma tentativa de seguir "na trajetória do golpe" e aposta em uma resposta do Poder Judiciário e da população contra um perdão ao ex-presidente.
"É mais um passo que eles imaginam dar para continuar na trajetória do golpe. Não aceitar a posição do povo brasileiro e das instituições no nosso país. É intolerável. Todos nós sabemos que houve tentativa de golpe. As investigações demonstraram com clareza e cabe ao Poder Judiciário julgar", disse.
"O povo brasileiro não aceita esse tipo de posicionamento. Se esse movimento se materializa numa proposta concreta a ser pautada aqui no Congresso, eu espero, e vamos lutar muito, para que não haja esse tipo de anistia. E se uma matéria como essa passar, o Congresso virou as costas do povo brasileiro.O povo terá todas as razões, todos no time, para identificar e condenar quem se importa desse jeito", emendou.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de mobilização popular, partindo da bancada de esquerda e da bancada que apoia o governo no Congresso Nacional, o parlamentar pregou cautela e disse que o o momento é de acompanhar o julgamento no STF.
"Esse é o chamamento que a gente faz para o nosso povo acompanhar de perto o posicionamento dessas instituições. Por enquanto estamos aguardando o julgamento do STF e se vem concretamente esse tipo de posição. Acho que a função da esquerda é acompanhar o julgamento e mobilizar as pessoas, ir para a rua e fazer grandes mobilizações contra isso. Identificar quem está com esse posicionamento para que o povo brasileiro acompanhe e cobre de forma efetiva. Ano que vem tem eleição", declarou.
Ao ser questionado sobre a decisão dos partidos em entregar os cargos que ocupam, Almeida seguiu a linha da ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e disse que ninguém é obrigado a permanecer no governo, mas que os interessados em permanecer não podem ficar "meia boca".
"Ninguém é obrigado a ficar no governo, mas não dá para ficar meia boca. Se quer ficar no governo, tem que ficar no governo e assumir ônus e bônus de ser governo. Se quer ficar na oposição, que vá integralmente para a oposição. Esse meio do caminho não cabe. Então, se querem sair, saiam", avaliou.
"Se tem um ou outro deputado que está respaldando espaços no governo, que diga ao seu partido que vai continuar respaldando espaços no governo e vai para um outro caminho. Mas esse processo tem que ficar absolutamente claro, não dá para ficar meia boca", concluiu.
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