☰
✕

Política

Éden Valadares afirma que "carlismo morreu" e aponta bolsonarismo como principal oposição na Bahia

Valadares prevê uma nova polarização política na Bahia, similar à que se observa em nível nacional  |  Devid Santana / BNEWS

Publicado em 26/10/2026, às 09h39 - Atualizado às 09h40   Devid Santana / BNEWS   Yuri Pastori

O secretário nacional de comunicação do PT, Éden Valadares, se manifestou nas redes sociais, nesta segunda-feira (26), após o resultado do segundo turno das eleições. O dirigente petista disse que “o carlismo morreu” na Bahia com a derrota de Flávio Bolsonaro (PL), candidato apoiado pelo ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União).

Receba as principais notícias de Política no canal do BNews no WhatsApp

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

“O carlismo morreu. Isso não quer dizer a direita baiana deixou de existir. Nem tampouco que nossos governos deixarão de ter oposição. Longe disso. Mas é que o carlismo, na sua forma mais tradicional, foi descaracterizado, morto e sepultado no dia de ontem assim que foram abertas as urnas na Bahia, sobretudo, em Salvador”, escreveu no X.

Valadares fez duras críticas ao candidato derrotado ao governo da Bahia. “É consenso que Neto nunca teve o talento e a liderança de ACM, né? Nem o carisma e capacidade de articulação de LEM (Luís Eduardo Magalhães), seu tio, ok? Mas, sejamos justos, ele parecia trilhar um caminho de identidade própria, um carlismo 2.0 flex, híbrido, que misturava um jeito coronelzinho moderno, uma coisa meio conversador mas antenado, não parecia? Triste fim”, acrescentou.

“Para consolidar esse movimento, e romper os muros de Salvador, dependia de uma vitória ao Governo do Estado ou a chegada algum Ministério importante em Brasília. O primeiro sonho foi destruído por Jerônimo duas vezes; o segundo pelo próprio ACM Neto ao se abraçar a Flávio Bolsonaro”, continuou.

Éden afirmou que o engajamento de ACM Neto na campanha de Flávio no segundo turno em Salvador decreta o fim do carlismo tradicional e consolida o bolsonarismo como a principal força de oposição no estado.

Segundo o dirigente petista, o apoio político não se converteu em votos na capital baiana, onde o candidato reduziu sua porcentagem de 27% para 26%. Para Éden, a aliança serviu apenas para descaracterizar a herança política da família Magalhães e abrir caminho para a consolidação da extrema-direita na Bahia.

Valadares definiu a sua análise não como um ato de quem conta vitória, mas como um diagnóstico real do novo cenário político local. De acordo com o líder partidário, episódios como a presença de ACM Neto em trios elétricos ao lado de lideranças bolsonaristas diluíram a essência carlista e exigirão um recalculamento de rota da esquerda, que passará a enfrentar na esfera estadual a mesma polarização vista em âmbito nacional.

Clique aqui e se inscreva no canal do BNews no Youtube

O carlismo morreu. Isso não quer dizer a direita baiana deixou de existir. Nem tampouco que nossos governos deixarão de ter oposição. Longe disso. Mas é que o carlismo, na sua forma mais tradicional, foi descaracterizado, morto e sepultado no dia de ontem assim que foram abertas as urnas na Bahia, sobretudo, em Salvador. É consenso que Neto nunca teve o talento e a liderança de ACM, né? Nem o carisma e capacidade de articulação de LEM, seu tio, ok? Mas, sejamos justos, ele parecia trilhar um caminho de identidade própria, um carlismo 2.0 flex, híbrido, que misturava um jeito coronelzinho moderno, uma coisa meio conversador mas antenado, não parecia? Triste fim. Para consolidar esse movimento, e romper os muros de Salvador, dependia de uma vitória ao Governo do Estado ou a chegada algum Ministério importante em Brasília. O primeiro sonho foi destruído por Jerônimo duas vezes; o segundo pelo próprio ACM Neto ao se abraçar a Flávio Bolsonaro. O resultado das urnas no segundo turno na capital provam meu argumento: Neto não ajudou Flávio em nada (Flávio teve 27% no primeiro turno e somente 26% no segundo) e abriu uma avenida para o bolsonarismo raiz — negacionista, revisionista, fundamentalista — desfilar e se consolidar como alternativa de poder ao nosso projeto petista na Bahia. Ao declarar apoio ao filho de Jair, ao rasgar a fantasia do tanto faz, ao subir naquele trio em frente ao Cristo da Barra e dançar com Nikolas, ao mandar Bruno Reis boicotar os ônibus no dia da eleição e, claro, depois de tudo isso, mesmo dar menos % de votos para Flávio do que o primeiro turno, Neto diluiu o que restava de essência carlista no oceano do bolsonarismo e por lá se findou, se misturou, se descaracterizou e virou uma coisa só. Não escrevo essas linhas com alegria, não. Jamais com tristeza, é verdade, mas não são palavras contentes, ou de superioridade moral, de quem conta vitória. Não, não. É uma percepção. Uma análise concreta do fatos: ACM Neto matou o carlismo. Minha geração de militantes de esquerda, progressistas ou democratas terá que se acostumar a isso e recalcular a rota. Daqui pra frente nosso adversário na Bahia, assim como é nacionalmente, é o bolsonarismo, pois ACM Neto fez o que parecia impossível: saiu ainda menor dessa eleição.

— Éden Valadares (@edenvaladares) October 26, 2026

Classificação Indicativa: Livre


TagsACM Netoeleições 2026oposiçãobnewséden valadares

Leia também


MPBA pede suspensão de emenda que permite reeleição na Câmara de vereadores de cidade baiana


Reeleito, Lula mudará quase um terço da composição do STF no novo mandato