☰
✕

Política

Eleição de 2026 bate marca histórica de chapas "puro-sangue" na disputa pelo Planalto

Com 12 das 13 candidaturas formadas por integrantes da mesma legenda  |  Divulgação

Publicado em 09/08/2026, às 09h00 - Atualizado às 09h00   Divulgação   Daniel Serrano

A escolha do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) para vice de Flávio Bolsonaro (PL) consolidou a chapa puro-sangue do PL e levou a eleição presidencial de 2026 a um recorde desde a retomada do voto direto. Das 13 candidaturas lançadas até o momento, 12 são "chapas puro-sangue", o equivalente a 92,3% do total.

Com a escolha do deputado alagoano, Flávio passou a integrar o grupo de candidatos que optaram por chapas formadas integralmente por integrantes de suas próprias legendas. Estão nessa situação, entre outros, Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab (PSD), Romeu Zema e Eduardo Girão (Novo), Renan Santos e Aroldo Medina (Missão), Samara Martins e Raquel Brício (UP), Leonardo Avalanche e Tenente Dalma (PRTB), além das duplas lançadas por PCB, PSTU, PCO e Democracia Cristã.

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

O percentual supera o registrado em 2014, quando dez das 11 chapas, ou 90,9%, eram formadas por integrantes da mesma legenda. Em números absolutos, as 12 chapas puro-sangue deste ano representam o maior total desde a eleição presidencial de 1989, quando 19 das 22 candidaturas seguiram esse modelo. Na oportunidade, uma chapa formada por candidatos do mesmo partido venceu a disputa. Fernando Collor de Mello e Itamar Franco concorreram pelo extinto PRN, na única vitória de uma composição puro-sangue desde a redemocratização.

Em 2026, apenas uma chapa não terá os candidatos a presidente e a vice do mesmo partido, formada pelo atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, filiado ao PT e pelo atual vice Geraldo Alckmin, do PSB.

Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo, especialistas avaliam que o cenário reflete o enfraquecimento das alianças nacionais. Entre os fatores apontados estão a maior autonomia financeira dos partidos, que passaram a controlar uma parcela crescente dos recursos públicos, além das mudanças nas regras eleitorais.

A escolha por Gaspar

O deputado Alfredo Gaspar foi escolhido como vice de Flávio Bolsonaro após o senador tentar atrair PP, União Brasil, Republicanos e Podemos para uma aliança nacional. No entanto, os partidos declararam neutralidade na disputa presidencial e liberaram seus diretórios estaduais para apoiar Lula ou Flávio conforme as articulações locais. MDB e Solidariedade adotaram a mesma posição.

Apesar da chapa puro-sangue, integrantes do PL rejeitam a avaliação de isolamento. O partido mantém a expectativa de que parte das siglas de centro possa apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro ao longo da campanha, principalmente em um eventual segundo turno. A cúpula também aposta em uma aproximação gradual com a federação União Progressista e mantém o Republicanos no radar.

PT e PL apostam em acordos estaduais

O cenário nacional não impede a formação de alianças táticas nos estados. PT e PL encerram as convenções partidárias priorizando a disputa presidencial, mas com acordos regionais envolvendo legendas de centro.

O PL terá candidatos próprios ao governo em 14 estados, enquanto o PT disputará 12 governos estaduais. Na maioria desses palanques, os dois partidos permaneceram restritos aos seus respectivos campos políticos, sem conquistar apoios formais de partidos de centro.

Na direita, o cenário é mais fragmentado, com disputas internas por protagonismo. Isso ampliou o número de chapas puro-sangue do PL nas eleições estaduais. Em 2022, o partido lançou candidato a governador e vice da própria legenda em apenas três estados. Em 2026, esse número subiu para dez, incluindo grandes colégios eleitorais como Rio de Janeiro e Minas Gerais.

As alianças mais amplas do partido ficaram concentradas em Santa Catarina, onde Jorginho Mello disputa a reeleição, além do Rio Grande do Sul e do Rio Grande do Norte.

Na tentativa de compensar a falta de aliados formais no centro, os dois partidos passaram a construir acordos regionais. O PT deve apoiar cinco candidatos a governador do PSD, dois do MDB, um do PP e um do União Brasil, em troca de apoio à candidatura de Lula.

Já o PL articulou apoio a candidatos a governador de outras siglas em 11 estados, priorizando nomes do PP, União Brasil e Republicanos. No entanto, 

Flávio Bolsonaro não terá no primeiro turno o apoio de ACM Neto (União Brasil-BA), Ciro Gomes (PSDB-CE) e Dr. Furlan (PSD-AP).

Senado vira prioridade

A disputa pelo Senado também deve ser um dos principais campos de batalha entre os dois partidos. A formação de uma maioria na Casa é tratada como estratégica diante de possíveis embates com o Supremo Tribunal Federal (STF), inclusive em relação a eventuais pedidos de impeachment de ministros.

O PL lançou 33 candidatos ao Senado em 25 unidades da federação e deixou de apresentar nomes apenas no Amapá e em Alagoas. Já o PT lançou 19 candidaturas próprias em 17 estados e também apoiará nomes de partidos aliados. Na Bahia, a sigla concorrerá às duas vagas com o senador Jaques Wagner e o ex-ministro Rui Costa. 

Classificação Indicativa: Livre


Tagsciro gomesUnião Brasilchapas puro-sangueSenadoRui CostaJaques WagnerneutralidadeRepublicanosRonaldo CaiadoLularenan santospodemosGilberto KassabstfppRomeu ZemaACM NetoAlfredo Gaspareduardo girãoGeraldo AlckminAroldo medinaeleições 2026flávio bolsonaro

Leia também


Candidata pode ter registro barrado por usar sobrenome ‘Bolsonaro’ sem ser da família


Morre Douglas Franklin, segundo maior artilheiro da história do Bahia