Política
Publicado em 14/09/2025, às 13h19 - Atualizado às 13h19 Ricardo Stuckert/PR e Isác Nóbrega/Agência Brasil Daniel Serrano
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escreveu um artigo para o jornal New York Times, neste domingo (14), em que rebate as alegações do governo dos Estados Unidos de que a condenação de Jair Bolsonaro é fruto de uma "caça às bruxas".
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No artigo, o petista diz ter orgulho da "decisão histórica" do Supremo Tribunal Federal (STF), que, segundo ele, "salvaguarda nossas instituições e o Estado Democrático de Direito".
Na última quinta-feira (11), Bolsonaro e outros sete réus foram condenados pela Primeira Turma do STF por terem liderado uma tentativa de golpe de Estado após a eleição de 2022. Após a sentença, o governo dos EUA prometeu "resposta adequada" e classificou a decisão como uma "caça às bruxas" contra a oposição.
Ainda no artigo publicado no NYT, Lula garantiu que o julgamento foi conduzido de forma legal.
"Não foi uma 'caça às bruxas'. A decisão foi resultado de procedimentos conduzidos em conformidade com a Constituição Brasileira de 1988, promulgada após duas décadas de luta contra uma ditadura militar. Isso ocorreu após meses de investigações que revelaram planos para assassinar a mim, ao vice-presidente e a um ministro do Supremo Tribunal Federal", escreveu Lula.
O petista disse ainda que foi descoberto um projeto de decreto "que teria efetivamente anulado os resultados das eleições de 2022", que derrotou Bolsonaro na disputa pelo Palácio do Planalto. No artigo, Lula também classificou como "falsas" as declarações do governo Trump de que a justiça brasileira persegue e censura empresas dos EUA de tecnologia.
"É desonesto chamar regulamentação de censura, especialmente quando o que está em jogo é a proteção de nossas famílias contra fraudes, desinformação e discurso de ódio. A internet não pode ser uma terra de ilegalidade, onde pedófilos e abusadores têm liberdade para atacar nossas crianças e adolescentes", declarou Lula.
Ainda no artigo, o presidente brasileiro ainda rebateu as falas dos Estados Unidos de que o Brasil teria adotado práticas desleais no comércio digital e nos serviços de pagamento eletrônico. Lula disse que o Pix, sistema de pagamento digital questionado por Washington que, segundo o petista, permitiu a inclusão financeira de milhões de cidadãos e empresas.
"Não podemos ser penalizados por criar um mecanismo rápido, gratuito e seguro que facilita as transações e estimula a economia", destacou o petista.
Lula revelou ainda que decidiu escrever o artigo para "estabelecer um diálogo aberto e franco" com Trump e encontrar uma solução para as tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros.
Para o presidente brasileiro, a tentativa do governo de recuperar empregos e reindustrializar o país "são motivações legítimas", mas classificou o tarifaço como um "remédio errado".
"Ver a Casa Branca finalmente reconhecer os limites do chamado Consenso de Washington, uma prescrição política de proteção social mínima, liberalização comercial irrestrita e desregulamentação geral dominante desde a década de 1990, justificou a posição brasileira. Mas recorrer a ações unilaterais contra Estados individuais é prescrever o remédio errado", escreveu.
"Presidente Trump, continuamos abertos a negociar qualquer coisa que possa trazer benefícios mútuos. Mas a democracia e a soberania do Brasil não estão em pauta. Em seu primeiro discurso à Assembleia Geral das Nações Unidas, em 2017, o senhor afirmou que 'nações fortes e soberanas permitem que países diversos, com valores, culturas e sonhos diferentes, não apenas coexistam, mas trabalhem lado a lado com base no respeito mútuo'. É assim que vejo a relação entre o Brasil e os Estados Unidos: duas grandes nações capazes de se respeitarem mutuamente e cooperarem para o bem de brasileiros e americanos", destacou.
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