Política
Publicado em 03/09/2026, às 08h47 - Atualizado às 08h47 Reprodução e Divulgação Redação Bnews
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) pediu ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ajuda para liberar um “ativo minerário” ligado a seu advogado e ex-assessor de gabinete, Thiago Rodrigues de Faria.
Em áudio enviado a Vorcaro em 30 de março de 2025, um domingo, Nikolas chamou o banqueiro de “Dani” e “lindão”, disse que queria ter mais proximidade com ele e ofereceu o contato de Faria para tratar do negócio. As informações do ICL.
Na gravação, Nikolas explica que Faria havia mencionado o nome de Vorcaro ao falar sobre um ativo de minério que já teria passado por uma análise técnica.
“Ei Dani, tudo bom? Como você está? Como estão as coisas aí? Desculpa te incomodar num domingo aí, é jogo rápido, também não quero tomar muito seu tempo. É o seguinte, meu amigo, meu advogado, enfim, irmão meu aqui, comentou comigo e falou daqui do seu nome. Eu falei: ‘não conheço o Dani, enfim, não tenho a proximidade assim, até mesmo a que eu queria ter, enfim, de conversar e trocar ideia, mas eu o conheço.’ Ele falou: ‘cara, tô com um ativo minerário lá, inclusive já passou pela ficha técnica, o pessoal técnico dele, enfim, tá pendente lá, tem algumas pessoas que sabem disso lá na empresa.’ E eu falei: ‘não, ué, eu posso dar um toque nele’. Então assim, não sei nem do que se trata, mas enfim é como é uma pessoa, enfim, que eu confio totalmente, tô passando aí pra você, pra se for do teu interesse, passar o contato dele aqui pra vocês tocarem isso, beleza? No mais, qualquer coisa tô aqui à disposição”.
Depois de receber o áudio, Vorcaro respondeu minutos depois com uma mensagem de visualização única. Nikolas, então, agradeceu e enviou o contato de Thiago Faria.
“Dani, lindão”: áudio revela Nikolas Ferreira pedindo ajuda a Daniel Vorcaro para tratar de um ativo de minério ligado a seu ex-assessor, Thiago Faria.
— bnewsvideos (@bnewsvideos) September 3, 2026
No mesmo áudio, o deputado também cita o pastor Valadão e pede desculpas por críticas anteriores ao banqueiro.
Vídeo: ICL pic.twitter.com/Y7NkF2rCHf
Na sequência, o banqueiro escreveu:
“Amém irmão. Estamos na guerra juntos”.
Nikolas respondeu que iria “dar banho na pequena agora” e completou: “pra amanhã voltar pra guerra”. A conversa terminou com Vorcaro dizendo para “Thiago me chamar”.
No dia seguinte, 1º de abril de 2025, Nikolas avisou que Faria estaria em Brasília e que “qualquer horário ele estará disponível”. Um dia depois, Vorcaro respondeu: “Deixa comigo”.
Não é possível saber, pelo conjunto das mensagens, se Vorcaro chegou a ajudar no pedido feito pelo ex-assessor de Nikolas.
No mesmo áudio em que apresenta Faria ao banqueiro, Nikolas também se desculpa por publicações que haviam provocado críticas de Vorcaro em abril de 2024.
Na época, o deputado havia criticado um evento financiado pelo Banco Master em Londres, que contou com a presença de ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Nikolas voltou a dizer que se arrependeu das críticas.
“Troquei ideia lá com o Pastor Valadão naquela época, lá naquela postagem, eu falei: ‘Pastor, eu não fazia ideia que era este o Banco do Dani etc. e tudo, se não, obviamente eu não teria postado, já teria conversado anteriormente’, mas enfim, acabou que a palavra dita não tem como voltar, né? Mas espero que tenha sido esclarecido, enfim, depois vamos marcar da gente se encontrar também, tá bem? Um abraço, lindão.”
Ex-assessor aparece em investigação sobre mineração
Thiago Rodrigues de Faria teve o nome exposto por envolvimento com empresas e investigados presos na Operação Rejeito, deflagrada em setembro de 2025, meses depois da troca de mensagens com Vorcaro.
A Polícia Federal (PF) prendeu 22 pessoas preventivamente durante uma investigação sobre um esquema criminoso de extração ilegal de minério de ferro na Serra do Curral, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Segundo reportagem do jornal O Estado de Minas, Faria teria atuado como intermediário, por meio de um contrato de confiabilidade, em uma negociação envolvendo uma lavra de minério e empresas investigadas pela PF na operação. Uma delas é a Gmais Ambiental.
O trabalho teria sido feito para que os verdadeiros donos dos negócios não tivessem os nomes publicizados.
De acordo com os investigadores, a Thiago Rodrigues Sociedade Individual de Advocacia tinha um contrato assinado em janeiro de 2025 com a Gmais. O documento previa o recebimento de 25% do lucro total, estimado entre US$ 30 milhões e US$ 45 milhões, caso fosse autorizada a retomada da mineração em uma área e a lavra fosse vendida.
O inquérito da PF registra: “chamaram a atenção os valores prováveis da negociação sobre os quais os apresentantes seriam remunerados. O valor inicial era de US$ 30.000.000,00 podendo ultrapassar os US$ 45M, valor que geraria 20% de comissão aos parceiros Gmais, Estabil escritório contábil e Thiago Rodrigues advocacia”
O ICL enviou cinco perguntas a Thiago Faria e Nikolas Ferreira. Faria afirmou que Nikolas estava em campanha e que não iria incomodá-lo. “Essas perguntas são nada a ver”, disse.
“O Vorcaro é de Belo Horizonte e eu sou de Belo Horizonte e a gente conhece todo mundo. Uma vez eu, enfim, tinha um ativo minério porque eu trabalho nessa área de mineração e mandei um ativo minerário pra todo mundo de um contrato que todo mundo sabe que já saiu de uma pessoa que teve um problema e ao qual eu nunca fui chamado para depor na PF porque eu não tenho nada a ver com isso”, finalizou Faria, em um áudio enviado para o site.
O contrato entre a Gmais e a empresa de Faria também tinha como sócia a mineração Topázio Imperial, detentora dos direitos minerários de uma lavra onde está localizada a barragem Água Fria, apontada como uma das estruturas de maior risco de Minas Gerais e considerada um dos sete barramentos com maior risco de rompimento no Brasil. Na época, a estrutura estava sem operação por ação do Ministério Público Federal (MPF).
Ainda segundo a PF, o grupo pretendia vender a lavra da Topázio para exploração. Para isso, seria necessário liberar a empresa detentora dos direitos minerários da lavra localizada em Ouro Preto, no distrito de Rodrigo Silva.