Política
Publicado em 03/09/2026, às 20h14 - Atualizado às 20h26 Reprodução Redação Bnews
O empreiteiro baiano Tiago Botelho, conhecido como “Papel”, é citado na proposta de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro como um dos responsáveis pela entrega de cerca de R$ 10 milhões em dinheiro vivo que, segundo o relato, seriam destinados a pessoas ligadas ao grupo político de Gilberto Kassab. A informação consta no anexo da delação que trata de um suposto esquema de pagamentos para garantir a continuidade do Credcesta, produto operado por empresas associadas ao Banco Master no Estado de São Paulo. As informações são do UOL.
Segundo Vorcaro, os pagamentos faziam parte de um “ajuste indevido” para assegurar a manutenção e a expansão do Credcesta durante a gestão de Tarcísio de Freitas. O ex-banqueiro afirma que o acordo previa o repasse de 5% do resultado líquido da operação em São Paulo, além de recursos para campanhas políticas. Nesse contexto, Tiago Botelho, apontado na delação pelo apelido “Papel”, teria participado da entrega dos valores em espécie a pessoas interpostas de Kassab.
Na versão apresentada por Vorcaro, aproximadamente R$ 10 milhões teriam sido entregues em dinheiro por Botelho e seriam destinados às campanhas do PSD. O empresário é citado ao lado de Augusto Lima, responsável pelas articulações relacionadas ao Credcesta dentro do grupo de Vorcaro. O ex-banqueiro afirma que Lima teria informado sobre o suposto acordo com Kassab e solicitado providências para o cumprimento das contrapartidas previstas.
O relato também menciona R$ 5 milhões em doações oficiais para as eleições de 2022, sendo R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio de Freitas e R$ 3 milhões para a campanha de reeleição de Jair Bolsonaro. Os recursos foram doados por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e investigado na Operação Compliance Zero. De acordo com o ex-banqueiro, Zettel não teria conhecimento das supostas motivações relacionadas às doações, que teriam sido solicitadas por Augusto Lima.
Kassab nega as acusações e afirma que nunca tratou de doações com Vorcaro ou Augusto Lima, além de negar ter recebido valores em espécie. O político também declarou que não possui qualquer relação com Vorcaro e classificou o relato como “absolutamente fantasioso” e sem “qualquer sustentação factual”. A defesa de Augusto Lima também rejeitou as informações, classificando-as como “absurdas”. As propostas de delação apresentadas por Vorcaro foram rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República sob o argumento de falta de ineditismo e de elementos de corroboração.
O BNEWS tentou contato com Tiago Botelho, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.
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