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Política

Entidades repudiam fala de presidente do Missão sobre chacina em bairros de Salvador

Discurso polêmico aconteceu durante passagem de Renan Santos na capital baiana  |  

Publicado em 27/09/2026, às 18h24      Anderson Ramos

A Agência de Notícias da Favela (ANF) e o Jornal Comunitário Bairro da Paz repudiaram a fala do presidente do Partido Missão na Bahia Davi Pirajá, durante ato do candidato à Presidência da República, Renan Santos, na Reitoria da Universidade Federal da Bahia (Ufba), no bairro do Canela, neste domingo (27). 

O dirigente defendeu que seja feita uma chacina em comunidades periféricas de Salvador, mais precisamente no Bairro da Paz e na localidade do Planeta dos Macacos, em São Cristóvão.

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"Cidade cheia de favela, toda tomada pelo crime. Somente nós aqui presentes hoje falamos: 'tem que ter uma chacina no Bairro da Paz! Tem que ter! Tem que ter uma chacina em Planeta dos Macacos, a gente tem que entrar nessas favelas e fazer um banho de sangue com todo mundo do Comando Vermelho'. Salvador é nossa!", disse. 

Reação

Em nota, a ANF disse que a declaração é “absolutamente inaceitável” e ressaltou que a incitação à violência é crime e uma violação a Constituição Federal e aos Tratados Internacionais de Direitos Humanos dos quais o Brasil é signatário. A Agência, cuja sede em Salvador fica no Bairro da Paz, também cobrou investigação dos órgãos competentes sobre a declaração.

“As periferias de Salvador — majoritariamente habitadas por trabalhadores, famílias e jovens negros — não podem ser tratadas como palco para o derramamento de sangue ou como moeda de troca eleitoral. A segurança pública deve ser construída com inteligência, respeito à vida, inclusão social e estrito cumprimento da lei, e não com a aniquilação de comunidades inteiras.Diante da gravidade dos fatos, exigimos:Investigação imediata por parte do Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) e das autoridades policiais para a apuração de crimes de incitação à violência e apologia ao crime.Posicionamento e responsabilização por parte do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA) e das instâncias éticas do próprio Partido Missão diante de conduta tão incompatível com o regime democrático”, se manifestou. 

Já o JC Bairro da Paz, classificou a declaração como uma “manifestação grave, desumana e incompatível com qualquer debate responsável sobre segurança pública” e defendeu a população dos bairros citados pelo dirigente do Missão. 

“O Bairro da Paz e São Cristóvão são formados por milhares de pessoas que trabalham, estudam, criam seus filhos e contribuem diariamente para a construção de Salvador. São comunidades que possuem problemas e desafios, como qualquer outra região da cidade, mas que também possuem histórias, culturas, talentos, projetos sociais, comerciantes, educadores, trabalhadores e famílias que merecem ser respeitados. Repudiamos qualquer tentativa de desumanizar nossas comunidades ou colocar seus moradores como alvos de violência. Chacina não é política de segurança. É violência”, publicou a página no Instagram. 

Ação contra paredão

Também durante o ato de Renan Santos em Salvador, outro militante do Missão chamou atenção pelo discurso violento. Candidato a deputado federal, Vinicius Trindade defendeu uma mudança na legislação para permitir ações policiais contra festas conhecidas como paredões e afirmou que a Tropa tática de rodas especiais da Polícia Militar (RONDESP) deveria entrar nesses eventos para “matar traficante”.

“Vamos acabar com isso de [festas] paredão. Eu vou transformar a lei de ruídos num crime previsto no Código Penal. A RONDESP só precisa de uma fagulha para invadir essas festas e matar traficante”, declarou.

Classificação Indicativa: Livre


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