Política

Executiva do Carrefour é investigada sobre esquema bilionário de lavagem de dinheiro

A executiva teve “intenso contato” com o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, que está preso desde agosto do ano passado  |  Reprodução

Publicado em 26/03/2026, às 11h45   Reprodução   Rebeca Santos

O Ministério Público de São Paulo solicitou à Justiça mandados de busca e apreensão na contra  Luciene Petroni Castro Neves, que é a responsável pela área tributária (“head of tax”) do grupo Carrefour no Brasil.

A solicitação faz parte de uma investigação do Grupo Especial de Repressão a Delitos Econômicos (Gedec). Os promotores investigam um suposto esquema de corrupção, fraudes tributárias e lavagem de dinheiro relacionado ao ressarcimento de créditos de ICMS.

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De acordo com os promotores, Luciene teve “intenso contato” com o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, que está preso desde agosto do ano passado. Ele é acusado de chefiar um grande esquema de corrupção dentro da Secretaria da Fazenda de São Paulo. As conversas interceptadas aconteceram entre julho de 2021 e agosto de 2025.

Segundo informações do O Globo, mensagens de WhatsApp obtidas pela investigação mostram que o auditor, considerado a peça central do esquema, teria ajudado diretamente a executiva nos pedidos de ressarcimento de ICMS-ST da rede de supermercados.

Para o Ministério Público, a marcação de reuniões entre o fiscal e a executiva para tratar de interesses da empresa foi classificada como “absolutamente descabida”.

As provas coletadas indicam que o Carrefour recebia um tratamento privilegiado dentro da Secretaria da Fazenda. Em conversas com outros funcionários da empresa, como o gerente tributário José Guilherme Trevisan Alves, o auditor teria admitido que concedia créditos à companhia mesmo quando isso não estava de acordo com a lei.

O Ministério Público também encontrou mensagens que sugerem que executivos pagavam propina para conseguir vantagens no reconhecimento de créditos tributários. Segundo a investigação, o esquema envolvia fiscais, contadores e empresas que pagavam “comissões” para agilizar a aprovação de créditos acumulados ou pedidos de ressarcimento.

No caso do Carrefour, as ações atribuídas a Luciene e a outros investigados podem configurar os crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

Essa medida faz parte da Operação Fisco Paralelo, que cumpriu 22 mandados de busca e apreensão. A operação mira o que o Ministério Público chama de um “mercado bilionário” de venda de facilidades fiscais no estado de São Paulo.

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