Política
Publicado em 14/09/2026, às 06h21 Reprodução Redação Bnews
A perícia da Polícia Civil de São Paulo identificou falhas nos lacres de 27 dispositivos eletrônicos apreendidos durante uma operação contra empresas ligadas à produção do filme “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, em junho.
Foram encontrados problemas em nove notebooks, cinco celulares e 13 pen drives. Os equipamentos precisaram ser devolvidos para a correta adequação dos lacres antes da realização dos exames periciais.
Os documentos que integram o inquérito apontam que os lacres apresentavam aberturas que permitiam o acesso aos dispositivos. Em um dos ofícios, a perita criminal Viviane Menezes afirmou:
“As guias [...] apresentam vão suficiente para retirada da peça [pendrive] a ser periciada”
Em outro documento, a perita afirmou que os lacres dos notebooks e celulares também apresentavam espaço suficiente para a passagem de cabos.
“As guias [...] apresentam vão suficiente para entrada de cabo de alimentação e transferência de dados, sendo possível a manipulação dos dados no interior do equipamento”
Os ofícios foram formalizados em 3 de junho, dois dias após a operação da Polícia Civil.
No dia 8 de junho, os equipamentos foram enviados para a 2ª Delegacia de Polícia de Investigações Sobre Crimes Contra a Administração Pública do Estado de São Paulo para a “readequação dos invólucros”.
“Retornaram do Instituto de Criminalística os objetos anteriormente encaminhados para a realização de exames periciais, para readequação da lacração, a fim da preservação da cadeia de custódia”, justificou o escrivão da Polícia Civil.
Depois de retornarem ao Instituto de Criminalística, os aparelhos permaneceram até 23 de julho à espera da análise. Segundo os documentos, a demora ocorreu devido ao “elevado volume de casos e à consequente fila de exames pendentes sob responsabilidade deste perito”.
Os documentos anexados ao processo não informam se a perícia analisou a integridade dos equipamentos nem se houve violação dos aparelhos em razão das falhas nos lacres. Os registros mostram apenas que os dados foram extraídos e disponibilizados à delegacia responsável pela investigação.
Os equipamentos foram apreendidos durante uma operação realizada em 1º de junho em residências e empresas relacionadas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama.
Karina também é responsável pela Go Up Entertainment, produtora do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A operação foi deflagrada diante da suspeita de fraude em um contrato de R$ 108 milhões por ano firmado com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de wi-fi na cidade por meio do ICB.
A Polícia Civil de São Paulo investiga se parte dos recursos do contrato foi desviada para financiar a produção do filme sobre a trajetória de Bolsonaro.
O contrato previa a instalação de 5 mil pontos de wi-fi gratuito na periferia até junho de 2025. Até a presente data, 3.200 foram instalados. Pelo menos três aditivos foram assinados para alterar a data de entrega total do serviço.
Os documentos sobre os lacres fazem parte do inquérito da Polícia Civil de São Paulo compartilhado com a Polícia Federal por determinação de Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
O relatório se tornou público neste domingo (13), depois que Dino retirou o sigilo de documentos enviados pela Justiça de São Paulo.