Política
Publicado em 25/06/2026, às 23h39 Reprodução Claudia Cardozo e Redação
O secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas, afirmou nesta quinta-feira (25) que a realização da primeira edição do projeto Justiça em Território – Presença que Transforma, em Cachoeira, representa um resgate da memória da Independência da Bahia e fortalece a identidade nacional brasileira.
O município do Recôncavo baiano sediou, pela primeira vez, uma sessão do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) em uma das datas mais simbólicas do calendário cívico estadual. A iniciativa busca aproximar o Poder Judiciário da população e ampliar sua presença no interior do estado.
Ao comentar a importância do ato, Freitas classificou o 25 de junho como um marco na constituição do Estado brasileiro e ressaltou a atuação da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos durante os festejos juninos.
“Esse ato é um ato de fundação do Estado brasileiro, como a gente o conhece. O resgate, o fortalecimento do 25 de junho é um fortalecimento da identidade nacional, das mais importantes lutas da história do nosso povo, então eu acho que é muito fundamental esse trabalho que se fez aqui com a presença do Poder Judiciário”, afirmou.
O secretário destacou ainda ações desenvolvidas pela pasta durante as festas populares deste ano, incluindo iniciativas de prevenção à violência e promoção da cidadania em cinco municípios baianos, entre eles Cachoeira. “Durante o São João, nós fizemos os cinco municípios, incluindo Cachoeira, com ações de prevenção à violência, mas também de promoção da cidadania. Nós tivemos iniciativas muito inovadoras, como por exemplo a Patrulha Inclusiva, feita com a Polícia Militar, para pessoas com deficiência. São mais de 300 profissionais atuando nessas festas”, disse.
Freitas também comentou a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de reconhecer nacionalmente as celebrações do 2 de Julho, data que marca a consolidação da Independência do Brasil na Bahia em 1823. Segundo ele, a medida permite ampliar o reconhecimento do papel desempenhado por grupos historicamente marginalizados no processo de emancipação do país.
“A decisão do presidente Lula de nacionalizar essa data, de reconhecer o caráter nacional dessa data, ela dá para a gente a possibilidade de conectar o Brasil com o valor das lutas de pessoas negras, de mulheres, de pessoas indígenas que atuaram para a libertação do nosso povo”, declarou.
Para o secretário, a valorização da Independência da Bahia também provoca reflexões sobre os desafios contemporâneos ligados à democracia, à liberdade de expressão e ao enfrentamento da discriminação.
Questionado sobre as eleições deste ano, Freitas afirmou esperar um processo eleitoral protegido contra a disseminação de desinformação e capaz de refletir a vontade popular.
“Do ponto de vista institucional, eu tenho a expectativa de que a gente tenha uma política séria de combate às fake news, um processo eleitoral, portanto, que reflita a vontade do povo, que a gente tenha mecanismos bastante rígidos de proteção do sistema político”, afirmou.
No campo político, o secretário declarou estar otimista com a possibilidade de reeleição do governador Jerônimo Rodrigues e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de defender o fortalecimento de candidaturas comprometidas com a democracia, a igualdade e os direitos humanos.
Operação contra Wagner
Freitas também comentou a operação da Polícia Federal que teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT/BA). Na avaliação do secretário, a decisão judicial apresenta inconsistências quanto à suposta relação entre a atuação parlamentar do senador e benefícios ao Banco Master.
“Essa operação tem problemas jurídicos bastante sérios. Eu acho que a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal foram induzidos a erro porque, na decisão, se fala que o senador teria beneficiado o banco a partir da apresentação de determinadas propostas legislativas. Quando a gente vai ler quais são essas propostas, são propostas que limitam juros e que vão na contramão do interesse do banco”, afirmou.
Ele acrescentou que o conteúdo dos autos e depoimentos de integrantes da equipe econômica federal demonstrariam que Wagner atuou em sentido contrário aos interesses da instituição financeira investigada.
“O fundamento da decisão é uma imprecisão. O que está escrito na decisão é o contrário do que o senador efetivamente fez. E eu estou falando isso com base nos autos”, declarou, acrescentando ainda críticas à forma de cumprimento das medidas judiciais, especialmente ao arrombamento da residência do parlamentar.
Alice Portugal associa celebração da Independência da Bahia à defesa da soberania e da democracia