Política

“Filho da put@”, áudio revela que Alcolumbre articulou ataque a prefeito adversário e deixou aliado em choque

Pedro DaLua disse a Alcolumbre que ficou “todo arrepiado” com o relato e que iria se “qualificar” para o encontro no TJ  |  Agência Brasil

Publicado em 25/03/2026, às 10h24   Agência Brasil   Rebeca Santos

Uma gravação obtida pela coluna Metrópoles revela que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, orientou o prefeito interino de Macapá, Pedro DaLua, a procurar um desembargador do Tribunal de Justiça que iria julgar uma ação contra o prefeito eleito, Antonio Furlan (PSD), seu adversário político.

Na conversa, Alcolumbre manda Pedro DaLua comparecer ao Tribunal de Justiça na segunda-feira, às 10 horas. Por duas vezes, ele insiste que DaLua deve ir sozinho, “sem advogado”. Os dois políticos são do União Brasil.

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“Segunda, 10 horas, no gabinete dele, no tribunal, para você relatar as questões jurídicas e políticas, sem advogado”, ordena o senador.

Durante o diálogo, Alcolumbre deixa claro que ele mesmo intermediou o encontro com o desembargador, a quem chama de “meu irmão”.

“Meu irmão, preciso da sua ajuda para restabelecer a autoridade do presidente da Câmara, que é meu irmão, sempre esteve comigo, me ajudou nos momentos mais difíceis da minha história política e não pode ser subjugado”, relatou.

O senador ainda contou que disse ao magistrado, a quem se refere como presidente, que “sabe reconhecer quem está ao seu lado”.

“Eu disse a ele (ao desembargador) que faço política de grupo, de entrega, e sou grato às pessoas, reconhecendo aquelas que trabalham”, afirmou.

A articulação mostra que Alcolumbre agiu para tentar derrubar a decisão do prefeito eleito Antonio Furlan de vetar o reajuste do orçamento da Câmara de Vereadores, que passaria de R$ 3,9 milhões para R$ 5 milhões. A Justiça havia determinado o aumento.

Pedro DaLua disse a Alcolumbre que ficou “todo arrepiado” com o relato e que iria se “qualificar” para o encontro no Tribunal de Justiça.

Na ligação, o vereador ainda chama Furlan de “filho da puta” e promete ao senador um “presente”: a abertura de duas CPIs para investigar o prefeito, que seriam anunciadas no dia de um grande evento no Estado.

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