Política
Publicado em 23/01/2026, às 12h39 - Atualizado às 13h36 Reprodução / Youtube Redação Bnews
São Francisco do Conde, município da Região Metropolitana de Salvador, vive um momento delicado em suas finanças públicas. O prefeito Antônio Calmon (PP) detalhou em entrevista os impactos da mudança no perfil de operação da refinaria local, que antes era administrada pela Petrobras e hoje está sob gestão da Acelen.
Segundo Calmon, a expectativa inicial era de crescimento da arrecadação com a chegada da nova refinaria, mas o resultado foi o oposto. “Com a vinda da Acelen a expectativa é que fosse ficar bastante diferente do que era antes, melhorar a situação da arrecadação, mas o modus operandi da nova refinaria fez com que o nosso município viesse ter uma queda de arrecadação. Então isso vem impactando muito na administração do nosso município”, afirmou à Rádio Sociedade.
O prefeito explicou que, enquanto a Petrobras chegava a operar com até 90% da capacidade de refino, a nova gestão não ultrapassa 30%. “O percentual de refino é menos de 30%. Então isso tem uma queda na receita. No acumulado da nossa receita, ele não soma nada pra gente”, disse. O resultado foi uma perda estimada entre 60% e 65% da arrecadação municipal.
Diante desse cenário, a administração precisou cortar gastos. “Nós tivemos que diminuir custos em contratos, 25%, 50%, tem contrato que nós pendemos 100%, nós tiramos mesmo para que pudesse tocar o município da melhor maneira possível. Nós temos uma folha altíssima. Nós temos uma folha de 18 milhões e estamos arrecadando em média de 25 a 30 milhões mês”, explicou. A crise chegou também à Câmara de Vereadores, que reduziu salários de servidores para evitar demissões.
Outro ponto de preocupação é a reforma tributária. Para Calmon, o novo modelo não favorece municípios como São Francisco do Conde. “A reforma tributária, ela vai beneficiar quem compra e não quem vende. São Francisco do Conde vende tudo, praticamente, não compra nada. Então, esse imposto que ficava no município vai hoje pra cidade que compra o nosso produto”, alertou.
Os números mostram a gravidade da situação: em 2020, a receita anual foi de R$ 576 milhões; em 2022, chegou a R$ 842 milhões. Mas em 2023 caiu para R$ 764 milhões, em 2024 para R$ 520 milhões e em 2025 despencou para R$ 351 milhões. “A educação 25%, a saúde 15%. A conta não fecha”, resumiu o prefeito, lembrando ainda dos débitos acumulados de gestões anteriores com INSS e FGTS.
Apesar das dificuldades, Calmon destacou que o município continua pagando o piso salarial dos professores e mantém programas sociais criados em sua gestão, como o “Pão na Mesa” e a bolsa universitária. “Hoje nós estamos passando por dificuldade para bancar os programas, mas o pão na mesa nós estamos mantendo”, garantiu.
O prefeito também lamentou a queda na geração de empregos pela refinaria. “Nós tínhamos assim 4.000 homens funcionando, trabalhando naquela refinaria. Hoje não acontece isso. Está em torno de 1.000, 1.500 pessoas que hoje faz manutenção desta refinaria”, disse. Ele reforçou que, diante da retração econômica, a prefeitura se tornou o maior empregador da cidade. “Com muita dificuldade, tá? Muita dificuldade. É, a prefeitura é o maior gerador de emprego que tem no município”, concluiu.