Política
Publicado em 20/06/2026, às 13h16 Reprodução/Redes Sociais Redação Bnews
O Governo do Distrito Federal está cobrando cerca de R$ 1 milhão do Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, após apontar irregularidades na execução de um convênio voltado à educação tecnológica. Segundo relatórios da Secretaria de Educação, a entidade entregou kits de robótica com defeitos, não forneceu suporte técnico adequado e deixou de apresentar a documentação final exigida para a prestação de contas. As informações são do Jornal Folha de São Paulo.
Em parecer encaminhado no último dia 12, a Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal rejeitou as contas referentes ao aditivo de R$ 1 milhão firmado em 2025 e concedeu prazo de 15 dias para que a organização apresente defesa. O governo informou ainda que pretende reavaliar toda a parceria, atualmente de R$ 5 milhões, para verificar a existência de eventuais valores adicionais a serem ressarcidos.
O projeto, denominado Steam Maker, previa a instalação de laboratórios móveis em escolas públicas, equipados com notebooks, impressoras 3D, ferramentas e materiais de robótica, com a meta inicial de beneficiar ao menos 500 estudantes. Entretanto, os documentos oficiais não indicam quantos alunos efetivamente participaram das atividades.
Relatórios de visitas técnicas registraram reclamações de professores desde 2024. Entre os problemas apontados estão falhas em equipamentos, ausência de capacitação adequada para utilização das impressoras 3D e suporte técnico insuficiente, que, em um caso, teria se limitado ao envio de um vídeo do YouTube. Também foram relatados defeitos estruturais nos kits, levando educadores a realizarem reparos improvisados com fita adesiva.
Apesar dessas ocorrências, a primeira etapa do convênio, no valor de R$ 4 milhões, teve as contas aprovadas, permitindo a assinatura do aditivo posteriormente questionado. Dias antes da cobrança, Karina informou ao governo que aguardava a conclusão de um artigo científico desenvolvido pela USP e solicitou prazo adicional para concluir a prestação de contas, pedido que não foi aceito.
Em nota, o ICB afirmou que "refuta a interpretação" de descumprimento do convênio e sustentou que as atividades previstas foram realizadas, acrescentando que relatórios, materiais pedagógicos, capacitações e demais documentos comprobatórios já foram apresentados ou estão em fase de complementação. A entidade também declarou que "ajustes, aperfeiçoamentos, substituições ou correções identificadas durante a execução fazem parte do processo normal de implementação e acompanhamento de projetos dessa complexidade, não caracterizando, por si só, inexecução do objeto".
Karina Ferreira da Gama também é sócia da produtora responsável pelo filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, e o instituto mantém outros contratos públicos, incluindo um acordo de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para oferta de internet em comunidades de baixa renda.
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