Política
Publicado em 31/07/2026, às 09h18 Silvânia Nascimento / BNEWS Anderson Ramos
O senador Jaques Wagner (PT) voltou a alegar inocência depois de vir à tona mais detalhes da Operação Compliance Zero. Nesta quinta-feira (30), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou o sigilo das investigações. O senador foi alvo de mandados de busca e apreensão da ação policial em junho.
A Polícia Federal (PF) identificou semelhanças entre os supostos mecanismos usados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para pagar vantagens indevidas a ele e ao ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.
Em entrevista ao programa Giro Baiana da Rádio Baiana FM (89,3) nesta sexta-feira (31), o senador citou o ministro André Mendonça ao se defender das acusações da PF.
Eu vou só citar uma frase no texto do próprio ministro André Mendonça, que diz: ‘O inquérito, a investigação serve até para afastar a culpa'. Então, eu tenho certeza que eu vou provar a minha inocência. O inquérito evidentemente demora um tempo. Eu agora estou focado na eleição”, afirmou Wagner.
“Que a Polícia Federal faça o seu trabalho, investigue, proponha ao Ministério Público, o Ministério Público avalie, depois o magistrado vai julgar. Eu quero lhe dizer que eu tô muito tranquilo. Como diz o presidente Lula, ‘Galego, só quem sabe o que você fez é você mesmo’. Eu sei o que eu fiz, eu tô tranquilo”, complementou.
Na ocasião, ele ainda falou sobre a relação com o presidente Lula depois do início das investigações. “Tive com ele quatro, cinco dias depois do episódio. Entreguei o cargo a ele para não contaminar, para não perturbar. Ele teve aqui na inauguração do Hospital de Alagoinhas, fez questão de fazer uma referência a mim muito carinhosa e elogiosa. E ele ainda vai estar comigo aqui defendendo a chapa dele, Rui e Wagner, Jerônimo e Geraldinho”, afirmou.
Outro relatório da PF aponta que Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro no Banco Master, trocaram 74 ligações entre novembro de 2023 e maio de 2025. Juntas, as conversas somaram cinco horas e 30 minutos. Conhecido como “Guga Lima”, o empresário também foi CEO do Master e controlador do Banco Pleno, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em fevereiro.
Na nona fase da Compliance Zero, deflagrada em junho, Wagner esteve entre os alvos da investigação. A PF afirma ter reunido indícios do “recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente”, mediante familiares, pessoas de confiança e estruturas empresariais vinculadas ao banco.
Entre os possíveis benefícios investigados estão a compra do imóvel, ingressos para um show e ao menos quatro viagens em aeronaves relacionadas ou operadas por pilotos ligados a Augusto Lima.
A quebra do sigilo também revelou que André Mendonça autorizou que a PF acesse dados dos celulares de Jaques Wagner e do ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima.
A medida atende a um pedido da PF que apontou que as informações podem ajudar a avançar na investigação, já que o grupo investigado fazia "tratativas sensíveis" em grande parte, por chamadas de voz, áudios ou encontros presenciais.
Ao autorizar a medida, Mendonça citou ainda o suposto risco de vazamento das investigações. A suspeita é embasada porque no mesmo dia em que a PF apresentou os pedidos de busca e apreensão, além de monitoramento dos celulares, o ministro recebeu um pedido de audiência de Wagner.