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Política

Lançamento de 'Dark Horse' fica ameaçado após derrota de Flávio Bolsonaro nas eleições

Filme sobre Jair Bolsonaro, "Dark Horse" enfrenta obstáculos devido a investigações e incertezas financeiras que podem adiar seu lançamento  |  Divulgação

Publicado em 31/10/2026, às 12h05 - Atualizado às 13h47   Divulgação   Cauan Borges

Além de enfrentar o desgaste provocado pela recusa em reconhecer o resultado das urnas e pela saída do país rumo aos Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vê o lançamento de “Dark Horse”, filme polêmico sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, ficar cada vez mais distante das salas de cinema em território brasileiro.

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De acordo com informações da coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo, a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o aprofundamento das investigações sobre a origem dos recursos utilizados na produção, que teria recebido dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro, aumentaram as incertezas sobre a estreia.

O lançamento do longa-metragem dirigido por Cyrus Nowrasteh e estrelado por Jim Caviezel já era considerado incerto diante das apurações, mas agora se tornou ainda menos provável.

A previsão inicial apontava para o primeiro semestre de 2027, prazo que também deixou de ser uma garantia. Entre as alternativas avaliadas está a disponibilização da cinebiografia diretamente em uma plataforma de streaming.

Nesse formato, a produção não precisaria de autorização da Agência Nacional do Cinema (Ancine), responsável pela regulação do mercado de salas de exibição, televisão aberta e TV por assinatura.

A legislação sobre streaming ainda tramita no Congresso. Como os serviços de streaming não foram incluídos dentre os já regulados, um streaming do Brasil ou estrangeiro pode ofertar o filme, sim”, diz um integrante do governo Lula que acompanha de perto os bastidores ao O Globo.

Outro ponto de preocupação para a distribuidora Europa Filmes é a possibilidade de a Justiça determinar o bloqueio de eventuais receitas obtidas com a obra. Uma decisão desse tipo poderia afetar diretamente os recursos destinados à distribuição do longa.

A hipótese também está no radar de investigadores envolvidos no caso: “Se houvesse lucro com o filme, ele pode ser bloqueado até o levantamento da liquidação do Master”.

"Dark Horse" - Foto: Reprodução / Redes Sociais
"Dark Horse" - Foto: Reprodução / Redes Sociais
"Dark Horse" - Foto: Reprodução / Redes Sociais
"Dark Horse" - Foto: Reprodução / Redes Sociais
"Dark Horse" - Foto: Reprodução / Redes Sociais

Inquérito e perícia

A produção de “Dark Horse” passou a representar um dos principais problemas para a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro depois que o site Intercept Brasil divulgou, em maio passado, gravações nas quais o senador cobra dinheiro de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A revelação levou à abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF).

Flávio e seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), são investigados por suspeitas de corrupção ativa e passiva, evasão de divisas e lavagem de capitais.

Entre as hipóteses apuradas pela Polícia Federal está a possibilidade de recursos repassados por Vorcaro, por meio do fundo Havengate, terem sido utilizados para custear o autoexílio de Eduardo nos Estados Unidos. O fundo era administrado por um advogado próximo do ex-parlamentar.

A Polícia Federal deve intensificar, nas próximas semanas, a análise contábil e financeira dos contratos e das despesas da Go Up Entertainment, responsável pela produção do filme.

A empresa, que ainda não lançou nenhum longa-metragem nos cinemas brasileiros, entregou aos investigadores mais de 20 mil páginas de documentos, incluindo contratos de câmbio, notas fiscais e comprovantes de despesas operacionais. A avaliação desse material, porém, continua em andamento.

Segundo a PF, a perícia deve “focar na verificação da compatibilidade” entre os gastos apresentados em um laudo particular contratado pela própria Go Up.

Os contratos de câmbio utilizados para trazer recursos ao Brasil e a movimentação dos US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 66,9 milhões) depositados no exterior pelo operador Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, no fundo Havengate, a pedido de Vorcaro. Mineiro firmou um acordo de colaboração premiada, homologado em setembro pelo ministro do STF André Mendonça.

Os investigadores também pretendem verificar se existe a possibilidade de “estabelecer nexo financeiro ou contábil direto” entre as sete transferências realizadas pela Entre Investimentos ao Havengate, que somam os 12,3 milhões de doláres, e os valores que chegaram posteriormente à Go Up no Brasil para financiar a produção de “Dark Horse”.

O documento contratado pela empresa apontou que 72% das despesas do filme foram realizadas nos Estados Unidos, apesar de as gravações terem ocorrido em território brasileiro. Conforme o levantamento, o orçamento total teria alcançado US$ 13,39 milhões, valor equivalente a R$75,1 milhões de acordo com a cotação do dólar utilizada na época.

Classificação Indicativa: Livre


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