Política

Intercept: Contrato liga Eduardo Bolsonaro a gestão financeira de filme sobre Jair Bolsonaro

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Defesa de Mario Frias afirmou que Eduardo Bolsonaro “não é e nunca foi produtor-executivo”  |   Bnews - Divulgação Divulgação/PL
Henrique Brinco

por Henrique Brinco

henrique.brinco@bnews.com.br

Publicado em 15/05/2026, às 16h17 - Atualizado às 16h22



Documentos e mensagens obtidos pelo Intercept Brasil apontam que o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro atuou como produtor-executivo do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, com participação direta em decisões financeiras e estratégicas do projeto. As informações contradizem declaração feita por Eduardo nas redes sociais, em que afirmou ter apenas cedido direitos de imagem para a produção.

Segundo o contrato revelado pela reportagem, assinado digitalmente por Eduardo em janeiro de 2024, ele e o deputado Mario Frias aparecem como produtores-executivos ao lado da empresa GoUp Entertainment, sediada nos Estados Unidos. O documento prevê participação dos envolvidos em estratégias de financiamento, captação de recursos, busca por investidores, incentivos fiscais e gestão orçamentária do filme.

Mensagens obtidas pelo Intercept também mostram Eduardo discutindo formas de envio de recursos para os Estados Unidos. Em uma conversa encaminhada ao banqueiro Daniel Vorcaro, ele sugere acelerar transferências internacionais para evitar dificuldades bancárias e atrasos no financiamento do projeto.

Documentos obtidos pelo Intercept Brasil mostram que Eduardo Bolsonaro atuou como produtor-executivo do filme 'Dark Horse', contradizendo suas declarações. (Foto: Reprodução / Intercept)

Outra minuta de contrato citada pela reportagem classifica Eduardo Bolsonaro como financiador da produção, autorizando o uso de recursos investidos por ele no longa. O texto reforça a suspeita de envolvimento além da simples cessão de imagem.

A reportagem ainda relaciona o projeto ao banqueiro Daniel Vorcaro, que teria prometido US$ 24 milhões para financiar o filme. Segundo o Intercept, pelo menos US$ 10,6 milhões já teriam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025 para estruturas ligadas ao projeto cinematográfico.

A Polícia Federal investiga se parte dos recursos enviados para “Dark Horse” teria sido utilizada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O deputado nega ter recebido valores do financiamento.

Procurados pela reportagem, Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Jair Bolsonaro, Mario Frias, Daniel Vorcaro e representantes da GoUp Entertainment não responderam até a publicação. A defesa de Mario Frias afirmou que Eduardo “não é e nunca foi produtor-executivo” do filme e que não recebeu recursos do fundo ligado à produção.

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