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Na Sombra do Poder: Moreninho do deputado

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Os bastidores da política baiana  |   Bnews - Divulgação Imagem criada por IA

Publicado em 14/05/2026, às 05h50   Editoria de Política



Moreninho do deputado
Um influencer moreninho virou o queridinho de um deputado baiano. O rapaz agora é visto o tempo todo ao lado do parlamentar, em atividades na capital e até fora do estado. Dizem que o moreno toca tambor e adora as águas. Pelo jeito, o cacique resolveu embarcar em outras navegações.

Cortiços de grife
Quem vê as fachadas espelhadas e as cifras milionárias dos metros quadrados mais caros de Salvador não imagina que, por trás das guias de mármore, a realeza local promove baixarias dignas de cortiço. O dinheiro compra o topo da pirâmide, mas o comportamento entrega o subsolo do bom senso. No enclave vertical do Horto, as fortunas se engalfinham por taxas astronômicas e picuinhas de condomínio. O absurdo escalou tanto que a sala de ginástica virou octógono, com direito a vizinho agredindo vizinhas e trocando acusações na delegacia por causa de um mero instrutor. O luxo ruiu no grito. Já no topo do Corredor da Vitória, o colapso é estrutural e policial. Enquanto um ricaço inundou o teto do vizinho com uma reforma irresponsável, gerando risco de desabamento, o pátio de entrada serviu de estacionamento para viaturas em busca e apreensão. Não há heliponto ou vista para o mar que mascarem a verdade: mudam-se os sobrenomes, mas os barracos são os mesmos.

Ciumeira petista
Para os deputados estaduais, é sempre difícil quando um secretário deixa o cargo para disputar as eleições, mas, para a base governista na ALBA, o feito de Rowenna Brito tem deixado os parlamentares em alerta. A ex-secretária de Educação já é tida nos bastidores como a grande favorita de Jerônimo Rodrigues para assumir um mandato no Legislativo estadual, o que tem deixado os deputados de sua base nervosos com a possibilidade de perder espaço para ela. Os nervosinhos estão, principalmente, entre os petistas que já esvaziaram a ALBA e viajam pelo interior em busca de se fortalecer para não perder o cargo.

Taxadinha fashion
Jerônimo Rodrigues resolveu vestir a fantasia contra taxação nas redes sociais. O problema é que o figurino não fecha com a realidade da Bahia. Enquanto comemorava o fim da chamada “taxa das blusinhas” para compras internacionais de até US$ 50, o petista esqueceu de mencionar que o próprio governo estadual aumentou o ICMS e mantém a Bahia entre os estados com maior carga tributária do país.

Da enxada à pá
Anos depois do inesquecível meme da enxada, que virou munição eterna de adversários e até hoje circula nos bastidores da política nacional, ACM Neto resolveu voltar ao batente cenográfico. Desta vez, o ex-prefeito apareceu empunhando uma pá em agenda pública, numa cena que rapidamente começou a rodar pelas redes sociais. A afinidade do ex-prefeito com o equipamento é de chorar...

Resultado previsível
Alguém ainda tem dúvidas sobre o resultado da pesquisa IP Sensus, prevista para ser divulgada na Bahia nesta semana? Basta olhar a forma como o questionário é apresentado aos entrevistados...

Kiss And Fly
A tão aguardada votação de projetos de vereadores ocorreu na tarde de quarta-feira e parece não ter agradado alguns edis da Câmara Municipal de Salvador. Um dos projetos mais aguardados para apreciação, o que proíbe a cobrança de taxa de embarque e desembarque no Aeroporto de Salvador, foi retirado da pauta. O autor da proposta, Carlos Muniz, não deu o ar da graça no plenário. A reunião do presidente com o prefeito Bruno Reis parece ter surtido efeito. Nos bastidores, é dito que o tucano não está nada satisfeito em ter que recuar. Vixe...

Clima tenso
Os vereadores Randerson Leal e Cláudio Tinoco protagonizaram uma tensão após o líder da oposição acusar uma quebra de acordos por conta de um projeto de uma vereadora que não estava presente na sessão. Mesmo com edis defendendo que o projeto deveria ser votado porque ela teria marcado presença, mas saído por questões pessoais, o oposicionista foi firme e não permitiu que o projeto passasse. Tinoco, por sua vez, deixou claro que não gostou da insinuação do colega ao acusá-lo de não seguir o regimento e quebrar acordos.

Presente, mas nem tanto
Marcelle Moraes não poupou críticas à segurança da Câmara Municipal de Salvador após um episódio envolvendo familiares. Além do desabafo feito na tribuna, repercutiu também o tom do discurso usado pela vereadora ao afirmar que frequenta as sessões na Casa Legislativa. Bem, a presença está sempre marcada no painel, mas estar “de corpo presente” no plenário são outros 500...

Bancada da espuma
O surto coletivo da semana foi a guerra política que chegou oficialmente à pia da cozinha. Os bolsonaristas baianos Capitão Alden e Diego Castro também resolveram transformar um detergente da Ypê em símbolo de resistência conservadora, após a suspensão de um lote pela Anvisa. Pelo ritmo da militância, daqui a pouco vai ter roda de oração em torno de desinfetante.

Equilibrismo Financeiro
Nos corredores do judiciário, comenta-se que uma ex-figura de proa do MPBA, cujo nome surgiu nos autos da Operação Faroeste, vive hoje uma rotina de malabarismos. Após fechar acordos para pacificar sua situação, ela tenta agora reorganizar a vida, mas a conta parece não fechar. O esforço para garantir o bem-estar da família e manter certas assistências às filhas tem pesado no orçamento e na própria fisionomia, bem diferente da altivez de outros tempos. A fase é tão delicada que o apoio de amigos tem sido fundamental até para o básico do cotidiano doméstico, como o suprimento da cozinha. Para quem já ocupou o topo da hierarquia, o momento é de reconhecer que o fôlego financeiro tem limites bem curtos.

A ligação fúnebre
O senador Flávio Bolsonaro pegou o celular e ligou direto para Daniel Vorcaro, o banqueiro preso, um monstro cadavérico que atualmente causa arrepios na Faria Lima e nos três Poderes de Brasília. Não era para política. Era para cobrar dinheiro. Segundo áudios e documentos revelados ontem (13/05), Flávio exigiu parcelas de um compromisso de R$ 134 milhões (US$ 24 milhões) para bancar o filme “Dark Horse”, biografia de Jair Bolsonaro. Já haviam sido pagos, entre fevereiro e maio de 2025, pelo menos R$ 61 milhões em seis transferências. Flávio cobrava em tom de desespero para não dar calote nos gringos dos Estados Unidos. O pré-candidato à Presidência da República negociando milhões com um banqueiro trancafiado, investigado e putrefato. Uma relação assombrosa, gravada, inegável. Não há Ypê que salve isso. A candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência está fadada à morte a partir de hoje. Morta pelo próprio Flávio. E a sombra de Vorcaro, de dentro da cela, ainda sorri para muitos políticos, dizendo que vem muito mais.

Meu Irmão Charlie Brown
O presidenciável Flávio Bolsonaro, senador ligado às milícias cariocas, tratava Daniel Vorcaro como irmão de verdade. Nas mensagens publicadas hoje pelo Intercept Brasil, o tom era de fraternidade pura: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente.” “Tá perdendo, irmão!” “Pode me dar um toque aí, irmão.” Era “mermão” pra cá, lealdade eterna pra lá. Cumplicidade de sangue, selada no WhatsApp. Aí explodiu o escândalo do Banco Master. E o mesmo Flávio, com cara de quem nunca viu o sujeito na vida, declarou em entrevista: “Não conheço Vorcaro”. Ó meu amigo Charlie Brown...

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