Política
Publicado em 08/10/2026, às 13h36 - Atualizado às 13h38 Reprodução / Redes Sociais / Instagram / @lulaoficial - BNews Cauan Borges
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, intensificou os ataques ao senador Flávio Bolsonaro (PL) nesta quinta-feira (8). Em dois vídeos publicados nas redes sociais, o petista acusou o adversário de planejar cortes em programas sociais e de enfraquecer o combate ao crime organizado durante um eventual governo.
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As gravações foram feitas no formato selfie, com o próprio presidente diante da câmera do celular e pouca edição. A estratégia marca uma mudança na comunicação digital da campanha, que passou a apostar em conteúdos mais espontâneos para ampliar o engajamento após o resultado do primeiro turno das eleições de 2026.
Em um dos vídeos, Lula criticou a possibilidade de um ajuste fiscal de grande escala e afirmou que a redução de despesas poderia atingir benefícios sociais e serviços públicos utilizados pela população de baixa renda.
Você já viu meu adversário dizendo que vai cortar R$200 bilhões do Orçamento. Quando eles falam em cortar R$200 bilhões, você sabe no que eles vão cortar? Vão cortar no Pé-de-Meia, no Farmácia Popular, no Minha Casa, Minha Vida, na merenda escolar, no Gás do Povo, não vão dar aumento do salário mínimo acima da inflação e não vão dar aumento do salário mínimo para aposentados”, declarou.
A fala faz referência a uma reportagem publicada pela Folha de S.Paulo sobre propostas discutidas por integrantes da equipe econômica de Flávio Bolsonaro para reduzir as despesas obrigatórias do governo federal em aproximadamente R$250 bilhões, o equivalente a cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB).
Entre as medidas avaliadas estaria a limitação dos reajustes de aposentadorias e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) à inflação, sem incorporar os ganhos reais concedidos ao salário mínimo. Na prática, os benefícios poderiam deixar de acompanhar integralmente os aumentos acima da inflação do piso nacional.
Atualmente, cerca de 70% dos mais de 41 milhões de benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) correspondem ao valor do salário mínimo. A eventual mudança alteraria a política de reajustes desses pagamentos e poderia reduzir o crescimento das despesas previdenciárias ao longo dos anos.
Outra proposta em discussão prevê mudanças nas regras que vinculam os investimentos federais em saúde e educação à arrecadação. Atualmente, a Constituição estabelece percentuais mínimos de aplicação nessas áreas. Pelo modelo relatado pelo jornal, os recursos passariam a ser corrigidos pela inflação, em vez de acompanharem o crescimento das receitas do governo.
As medidas são apresentadas por integrantes da equipe econômica como alternativas para conter o avanço da dívida pública, reduzir a percepção de risco dos investidores e aliviar a pressão sobre os juros. A campanha de Flávio Bolsonaro, contudo, negou que as discussões representem compromissos oficiais da candidatura.
Em nota, a assessoria do senador afirmou que as diretrizes econômicas estão expressas no plano de governo e nas declarações públicas do candidato e de seus principais assessores. A campanha também criticou a utilização de conversas informais e interpretações de terceiros como se fossem posições oficiais.
Assista:
No segundo vídeo, Lula direcionou as críticas à área da segurança pública. O presidente voltou a defender a política resumida na frase “Para o trabalhador, proteção, para o bandido, prisão” e cobrou que Flávio Bolsonaro e o Partido Liberal (PL) apoiem a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública no Senado. Na legenda da publicação, o petista intensificou o confronto eleitoral ao afirmar: “Com Lula, combateremos o crime organizado. Com Flávio, o crime organizado tomará conta do Brasil.”
A declaração amplia a disputa entre os candidatos em torno da segurança pública, tema que ganhou espaço na campanha presidencial. Lula tenta associar o adversário a riscos para a proteção social e para o enfrentamento das organizações criminosas, enquanto cobra apoio a uma proposta defendida pelo governo federal.
Assista:
A publicação dos vídeos em formato selfie começou na quarta-feira (7), em uma mudança na comunicação de Lula nas redes sociais. O presidente já havia demonstrado resistência a uma presença mais intensa nessas plataformas, mas passou a investir em formatos considerados mais diretos e próximos do público.
Após o primeiro turno, o petista também ampliou a participação de um grupo de jovens deputados eleitos nas discussões sobre a estratégia de comunicação da campanha.
A nova abordagem busca aumentar o alcance das publicações e tornar as mensagens eleitorais mais acessíveis ao público digital. Com os ataques a Flávio Bolsonaro, Lula combina a defesa de programas sociais com críticas às propostas econômicas atribuídas à equipe do adversário e à posição da candidatura sobre segurança pública.
Até o momento, a campanha de Flávio nega que as medidas fiscais relatadas pela imprensa constituam compromissos oficiais. A disputa sobre os possíveis cortes e seus efeitos sobre aposentadorias, benefícios sociais, saúde e educação deve permanecer entre os principais pontos de confronto eleitoral.
Não se pode transformar conversas informais, interpretação de terceiros ou especulação sobre o cenário econômico em posição oficial de uma candidatura, ocorridas antes mesmo do início do período eleitoral”, declarou.
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