Política
Publicado em 22/09/2026, às 13h04 Ricardo Stuckert / PR Anderson Ramos
Em um trecho do seu discurso de 22 minutos na Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silvamandou um recado claro à sua contraparte dos Estados Unidos, Donald Trump.
Sem mencionar o mandatário dos EUA, o petista disse que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”. A declaração é uma resposta aos discursos recentes de Marco Rubio, secretário de Estado de Trump, que voltou a falar da América Latina como "quintal dos EUA" no âmbito da Doutrina Donroe.
Ao falar sobre riscos de intervenção em países da América Latina e Caribe, Lula afirmou que “diferenças ideológicas não devem ser obstáculos para maior integração entre vizinhos”. “A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais”, ressaltou o presidente.
Ao final do seu discurso, Lula falou sobre as eleições no Brasil e alfinetou o seu principal adversário na disputa, o senador Flávio Bolsonaro (PL).
“No dia 4 de outubro milhões de brasileiras e brasileiros irão às urnas definir o seu destino. Não vão apenas eleger o Presidente da República, os governadores estaduais, e os representantes do Poder Legislativo. Vão decidir entre democracia e negacionismo. Se o Brasil vai avançar rumo ao futuro de mais oportunidades ou regressar a um passado de exclusão”, disse o petista.
Em sua fala de pouco mais de 20 minutos, o presidente defendeu o processo eleitoral no país e fez uma defesa enfática da soberania brasileira para os líderes mundiais.
“Temos um pleito competitivo que todos os candidatos desfrutam da mais ampla liberdade de expressão. Sabemos de alguns abusos dessa liberdade para se associar a interesses estrangeiros contrários ao país. Não subestimamos as redes de desinformação que buscam desvirtuar o debate ao longo da campanha. Construímos um sistema eleitoral moderno e robusto sob um olhar atento de uma sociedade plural e de uma imprensa livre.Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos atentem contra a vontade popular. A democracia brasileira continuará sendo soberana e ninguém nos afastará desse caminho”, afirmou Lula.