Política
Publicado em 29/08/2026, às 08h21 Fotos: Manoella Mello / TV Globo Cauan Borges
O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) mencionou nominalmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo menos 17 vezes durante a sabatina realizada pelo Jornal Nacional, da TV Globo, na última sexta-feira (28).
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O comportamento contrastou com o adotado por Lula na entrevista concedida à mesma emissora na noite anterior. Durante sua participação, na quinta-feira (27), o petista não citou diretamente o nome do senador e nem do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ao abordar o governo anterior.
Para se referir à gestão do adversário, Lula utilizou a expressão “outro governo”. Ao falar sobre a situação fiscal herdada de seu antecessor, o atual líder de estado afirmou: “A PEC da Transição foi inclusive para pagar o rombo deixado pelo outro governo. Deixou um rombo de R$ 94 bilhões de dívida com as pessoas, que nós tivemos que pagar.”
Durante os cerca de 40 minutos de entrevista, Flávio utilizou parte significativa das respostas para criticar a atual administração e associar diferentes temas ao presidente Lula. Além das 17 menções diretas ao petista, o candidato utilizou dez vezes a expressão “atual governo”.
Um dos momentos ocorreu quando Flávio foi questionado sobre o financiamento do filme Dark Horse pelo fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. O candidato negou irregularidades e transferiu a responsabilidade por eventuais explicações para o governo federal. Segundo Flávio, “quem deve explicações hoje é o atual presidente da República”.
A política externa com os Estados Unidos foi outro ponto utilizado pelo candidato do PL para atacar Lula. Flávio responsabilizou o presidente pela tarifa de 50% aplicada pelos EUA sobre produtos brasileiros e afirmou que Lula teria contribuído para a decisão ao adotar uma postura de confronto com o presidente norte-americano Donald Trump.
Na avaliação do senador, o presidente brasileiro teria “cavado com força” a sobretaxa: “Lula procurou muito essa tarifa”, declarou Flávio.
Flávio apareceu com uma espécie de “cola” escrita na palma da mão durante a sabatina no JN. As anotações tinham três referências: “Mudança”, “Futuro” e “7/set”. O recurso remete a uma estratégia utilizada por seu pai preso por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), durante entrevistas e sabatinas nas eleições de 2018 e 2022.
As palavras anotadas funcionavam como lembretes para temas considerados importantes pela campanha. “Mudança” e “Futuro” estão relacionadas à construção do discurso eleitoral de Flávio, que busca apresentar sua candidatura como uma alternativa ao atual governo e associá-la à ideia de transformação política.
Já “7/set” fazia referência ao ato convocado pelo candidato para o Dia da Independência, em 7 de setembro, na Avenida Paulista, em São Paulo.
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