Política
Publicado em 17/06/2026, às 21h30 Reprodução / Site Prime You Leonardo Oliveira
Em depoimento à Polícia Federal (PF), o marinheiro Luis Felipe Woyceichoski relatou irregularidades e ameaças durante festas e passeios no iate de Daniel Vorcaro. De acordo com ele, um integrante do grupo “A Turma” o ameaçou após registrar uma série de violações. Entre elas estavam a quebra de taças que valiam cerca de mil reais, a colisão do jet skis com a popa do barco e mancha de bronzeador nos estofados brancos. As informações são do jornal O Globo.
O ex-comandante relata que o intuito era avisar a empresa responsável pela embarcação para evitar que a tripulação saísse como culpada pelos danos após a presença de Vorcaro e seus convidados. Além disso, existia a falta de uso de equipamentos de proteção pessoal durante as viagens, que poderiam causar problemas com a fiscalização da Marinha.
O marinheiro foi piloto durante um ano e sete meses do Solar, iate Benetti Oasis de três andares e 40 metros (ou 133 pés) que era utilizado por Vorcaro na baía de Angra dos Reis (RJ), na Costa Verde, de forma exclusiva. Ele acabou sendo demitido em julho de 2024, depois de registrar as situações.
“No caso do uso do jet ski por uma convidada do Daniel (Vorcaro). Ela colidiu de forma leve na popa da embarcação, retornou e bateu na escada. Aí eu peguei e fiz um take (foto) desse momento. Outro (episódio): taças muito caras, de vinho, espumante, marcas renomadas. Taças que valem mais de mil reais eram colocadas dentro d'água. Quando ligava o hidrojato, as taças quebravam. Dez taças, R$ 10 mil”, relata Woyceichoski.
Além disso, houve casos de manchas nos estofados por conta de bronzeador. “as mulheres passavam bronzeador e se deitavam no estofado próximo à piscina. Ficava manchado. Então, a gente ficava preocupado. Daqui a pouco, a esposa do cara chega para mim e fala: “Pô, quem usou esse estofado?” Eu ficava numa condição super constrangedora”, relata o ex-funcionário de Vorcaro.
Ele conta que fazia o diário de bordo e registrava os episódios e que posteriormente recebeu uma ameaça, no qual, em junho de 2024, homens vestidos como “paramilitares” chegaram numa das marinas de Angra atrás dele. Como naquele dia ele estava em São Paulo, o líder do grupo identificado como Manoel telefonou para ele e realizou ameaças, dizendo que poderia ter feito uma visita na casa dele "com armas” e sabia detalhes da rotina.
“Ele (Manoel) começou a esboçar para mim de forma muita intimidatória que sabia quem eu tinha sido, que tinha me visto no centro de Angra, horário em que eu entrava, que eu estava com a minha mulher e que tinha sido agente prisional em Goiás”, conta.
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Conversa de Vorcaro interceptada
Em um episódio anterior, que aconteceu um mês antes da primeira ameaça, Daniel Vorcaro enviou mensagens a um interlocutor com o objetivo de obter um levantamento de informações sobre o comandante da sua embarcação em Angra. A conversa foi interceptada pela PF.
"Cara, capitão (do) meu barco fez uma gravação minha. Vamos ter que sentar com ele. Ele foi policial. Então, é metido a besta", escreveu Vorcaro. Um mês depois da ameaça, o ex-comandante foi demitido do emprego e contou que se retirou imediatamente de Angra dos Reis, após ser avisado que era “melhor deixar a cidade”.
“Tive que sair correndo de Angra dos Reis. Nós abandonamos muita coisa lá no apartamento. Liguei para um parente, jogamos tudo dentro do carro, e voltei direto para o sul”, relata.
Os relatos foram fornecidos à Polícia Federal dentro da Operação Compliance Zero, que revela que Vorcaro mantinha um grupo chamado “A Turma”, formado por operadores do jogo do bicho, policiais federais e hackers, que intimidavam desafetos de Vorcaro e faziam a segurança dos encontros promovidos pelo banqueiro. Vorcaro e Manoel Rodrigues, líder do grupo, estão presos por possíveis ameaças.
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