Política

Mensagens revelam troca de favores entre traficante do CV e aliado de Flávio Bolsonaro: “Mérito que ganha quando eu resolvo algo”

O político foi indicado por Flávio Bolsonaro para o cargo em 2023 e ficou no cargo até abril de 2026  |  Reprodução / Portal Metrópoles

Publicado em 25/05/2026, às 06h49   Reprodução / Portal Metrópoles   Rebeca Santos

“‘Mérito que ganha quando eu resolvo algo’, disse o traficante do Comando Vermelho Índio do Lixão para Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu, assessor do ex-deputado TH Joias, em junho de 2025.

Segundo informações do Metrópoles, quem ganhou o mérito foi o ex-secretário de Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro, Gutemberg Fonseca.”

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Trocas de mensagens interceptadas pela Polícia Federal mostram que, entre maio e agosto de 2025, o traficante Índio do Lixão falou pelo menos cinco vezes sobre encontros ou favores com Gutemberg Fonseca.

O político foi indicado por Flávio Bolsonaro para o cargo em 2023 e ficou no cargo até abril de 2026. Ele agora vai ser candidato à Câmara dos Deputados pelo PL.

De acordo com o relatório da Polícia Federal, a primeira conversa sobre um encontro com Gutemberg Fonseca (chamado de “Guto” por eles) aconteceu em 13 de maio de 2025.

O traficante perguntou a Dudu: “cadê você? assim eu vou ficar fraco”, demonstrando insatisfação por ele não estar presente. Depois completou: “Tá geral aqui, Guto e todos. Cadê vocês?”. Naquela época, Índio do Lixão ainda não tinha mandado de prisão contra ele.

No dia seguinte, Índio disse a Dudu que queria contar o que “o doutor” havia falado. Eles ficaram 39 minutos no telefone. Ao final da ligação, o traficante pediu que Dudu perguntasse a Gutemberg Fonseca o que ele achou da “atitude” dele, que teria resolvido um problema de forma rápida.

Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão, é considerado pela Polícia Federal um dos líderes do Comando Vermelho. Ele é investigado por tráfico internacional de armas. As investigações apontam que ele tinha um grupo de policiais militares que atuavam na segurança dele e davam apoio logístico à quadrilha. A PF também identificou uma “articulação política” para beneficiar os interesses do traficante.

O ex-secretário Gutemberg Fonseca negou qualquer encontro com Índio do Lixão.

“Sempre trabalhei para combater o crime organizado e pela segurança da minha família. Por que teria relações com essas pessoas? Não entendo porque eles mencionaram encontros comigo. Se tivesse alguma coisa, a Polícia Federal teria me indiciado. Na própria troca de mensagens, o traficante disse que eu não atendi aos pedidos dele”, pontuou.

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