Política

Metade do Grupo de Trabalho da Câmara que vai debater fake news já postou notícias falsas

Alguns deputados tiveram as redes sociais bloqueadas por causa de postagens de fake news  |  Mário Agra / Câmara dos Deputados

Publicado em 17/06/2024, às 10h59   Mário Agra / Câmara dos Deputados   Cadastrado por Lucas Pacheco

O Grupo de Trabalho (GT) que irá debater um projeto de lei para combater fake news será composto por 20 deputados indicados pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Destes vinte, dez já dissemiram informações falsas nas redes sociais. Dois chegaram a ter os perfis bloqueados.

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O projeto prevê a responsabilização das plataformas por publicações criminosas. Mas a polarização política entre direita impediu um consenso sobre a definição do que é informação falsa e sobre as medidas para combater o problema. A oposição bolsonarista trata a matéria como censura.

Um levantamento do portal UOL, a partir de publicações de agências de checagem, mostrou várias postagens falsas feitas por estes deputados sobre as enchentes do Rio Grande do Sul, resultado das eleições, as invasões do 8 de Janeiro, entre outras.

São eles:

Érika Hilton (PSOL-SP)

Eli Borges (PL-TO)

Filipe Barros (PL-PR)

Glaustin da Fokus (Podemos-GO)

Gustavo Gayer (PL-GO)

Lídice da Mata (PSB-BA)

Marcel Van Hattem (Novo-RS)

Maurício Marcon (Podemos-RS)

Rodrigo Valadares (União-SE)

Simone Marquetto (MDB-SP)

O GT foi instituído em 5 de junho, pelo prazo de 3 meses , que pode ser prorrogado. Entretanto, em mais de 10 dias, ainda não houve nenhuma reunião e nem definição do relator ou coordenador dos trabalhos.

 Os deputados da oposição são contra a regulação das plataformas. Já o governo federal defende a regulação.

Deputados produtores de fake news (em ordem alfabética)

Érika Hilton (PSOL-SP)

Sobre a chamada "PEC das Praias", a deputada publicou que as praias serão privatizadas no Brasil, mesmo sem a proposta conter textualmente essa possibilidade.  

Eli Borges (PL-TO)

Recentemente, o parlamentar celebrou que recurso federal não poderá mais ser utilizado bancar cirurgia de mudança de sexo em pessoas menores de 18 anos. Entretanto, o procedimento já é proibido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

Filipe Barros (PL-PR)

O líder da oposição na Câmara já precisou depor por espalhar fake news. Ele foi ouvido em uma investigação do STF sobre disseminação de "notícias fraudulentas" contra o Supremo.

O deputado também questionou o sistema eleitoral em um grupo de disparo de fake news do qual era administrador. Filipe Barros publicou que o governo Lula teria liberado os banheiros unissex em escolas.

Glaustin da Fokus (Podemos-GO)

O deputado goiano declarou que há banheiros unissex nas escolas e apresentou um  projeto para extinguir a existência de "espaço sem gênero nas instituições de ensino". 

Porém, o  governo federal explicou que a resolução publicada apenas apresentava orientações sobre tratamento de estudantes trans. 

Gustavo Gayer (PL-GO)

O deputado disseminou informação falsa sobre o número de óbitos em uma UTI de um hospital de Canoas (RS), aumentando de 02 para 09 . Quando a correção foi feita pela Prefeitura, o parlamentar se recusou a corrigir o dado em suas redes. 

Gayer teve as redes sociais bloqueadas. 

E o deputado não tem esse comportamento de agora. Durante a pandemia, a justiça já havia determinado que ele apagasse um vídeo com informações falsas sobre a covid-19. 

Lídice da Mata (PSB-BA)

A parlamentar também afirmou que a "PEC das Praias" tenta privatizar as praias no Brasil e que o relator, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), quer vender  partes da costa brasileira.

Marcel Van Hattem (Novo-RS)

O deputado espalhou diversas fake news sobre a eleição de 2022 e as urnas eletrônicas, após a derrota de Jair Bolsonaro (PL) e teve suas redes bloqueadas por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). 

Maurício Marcon (Podemos-RS)

O deputado apresentou um projeto de lei que criminaliza quem impede salvamentos e resgates em calamidades públicas. Entretanto, a proposta tem fundamento em informações errôneas sobre a crise no Rio Grande do Sul, como a suposta exigência de habilitação de quem pilotava barcos no resgate de vítimas. 

Rodrigo Valadares (União-SE)

O deputado sergipano afirmou que a União iria comprar arroz cultivano na Ásia com agrotóxicos proibidos no Brasil, a partir da publicação de uma reportagem de um portal conhecido por publicações falsas.

O edital de leilão de compra, entretanto, previa análise toxicológica realizada pelo Ministério da Agricultura.

Simone Marquetto (MDB-SP)

A parlamentar declarou que nota técnica emitida pelo Ministério da Saúde continha "elementos que ampliam o aborto no Brasil", mesmo afirmando que sabia que o documento não tinha "validade normativa". Ela é uma das autoras do chamado PL do Aborto. 

Respostas

Todos os parlamentares foram procurados pelo UOL, mas apenas Filipe Barros, Lídice da Mata e Simone Marquetto retornaram. 

Filipe Barros

O deputado disse que foi incluído no inquérito por uma opinião sobre a prisão em segunda instância e que que o número de Whatsapp era público e utilizado por uma assessora. 

Lídice da Mata

Já Lídice da Mata discordou que sua publicação tenha sido mentirosa ou falsa e afirmou que o relator muldou o texto da PEC após a pressão popular. 

"Não se trata de fake news. A transferência dos chamados terrenos de marinha a particulares pode dificultar o acesso às praias, consideradas bens públicos de uso comum pela Constituição. Essa medida, portanto, abre espaço - e até mesmo legitima - à destinação de bem público para um uso diferente daquele que é de interesse comum. Tanto é que próprio relator da matéria no Senado precisou esclarecer à imprensa a relação da proposta com as praias", afirmou Lídice em nota.

Simone Marquetto

Questionada pelo UOL, Marquetto defendeu a informação incorreta que a nota "promovia a ampliação do aborto no Brasil". 

Grupo de Trabalho

Na Câmara dos Deputados, espera-se que o GT não apresente nenhum resultado prático. 

Classificação Indicativa: Livre


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