Política
Publicado em 24/09/2026, às 10h51 - Atualizado às 10h52 Lula Marques/Agência Brasil Bernardo Rego
Durante entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira (24) , o ministro da Fazenda, Dario Durigan, comentou que a empresa Entre Investimentos, uma das patrocinadoras do filme Dark Horse, que conta a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, recebeu dinheiro do Banco Master e do crime organizado.
O dono da empresa, Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como "Mineiro", foi alvo da Operação Carbono Oculto, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Ele fechou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) envolvendo as investigações sobre o escândalo do Banco Master.
Segundo o MP, Mineiro está envolvido em um esquema de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Em delação ele contou que o fundo de investimentos Havengate, responsável por financiar o filme Dark Horse, recebeu US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 69 milhões) em sete pagamentos a pedido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Durigan ressaltou o papel da empresa no esquema criminoso. "Estamos falando de uma administradora de um grupo empresarial, que é o Grupo Entre, que recebia dinheiro tanto do Master quanto do crime organizado e dentro de um mesmo bolso. E esse recurso foi utilizado para ocultar patrimônio, para lavar dinheiro, para corromper", afirmou o ministro.
"Nós estamos falando de um mesmo fundo, de um mesmo bolso de onde dinheiros de diferentes lugares foram parar, seja do Master, seja do crime organizado, seja de figuras que já estão com delação premiada no Ministério Público de São Paulo ou no Ministério Público Federal", acrescentou Durigan.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, fala sobre a circulação de recursos ligados ao crime organizado e ao Banco Master no âmbito da Operação Carbono Oculto. https://t.co/9ldHtmWz3x
— Rádio Bandeirantes (@RBandeirantes) September 24, 2026
O objetivo da operação, que cumpre mandados de busca e apreensão em 29 endereços vinculados a 13 pessoas físicas e 24 pessoas jurídicas, é desvendar a utilização de estruturas complexas de lavagens de capitais para a aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país. Houve sobreposição de estruturas pela organização criminosa, para, inicialmente, ocultar o controle de uma empresa sucroalcooleira e, depois, a aquisição de uma distribuidora de combustíveis.
Segundo o GAECO, a estrutura teria sido liderada por Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como "Beto Louco", e Mohamad Hussein Mourad, chamado de "Primo". Os homens são apontados como os chefes da organização, apesar de não estarem com alvos de busca da nova fase da operação.
O Ministério Público aponta que mais de R$ 120 milhões teriam circulado por diferentes empresas, constando como "contas de passagem". Segundo o relatório do Coaf, documentos bancários mostram informações fornecidas pelo Banco Genial para a realizar a movimentação financeira.
A usina sucroalcooleira passou a integrar a carteira de um novo fundo de investimento criado especificamente para o negócio jurídico. O valor de R$ 100 milhões foi aportado no referido fundo de investimento.
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