Política

Ministro defende redução de jornada e chama diretora que criticou fim da escala 6x1 de "dondoca"

Luiz Marinho se manifestou após diretora da Fiesp declarar que fim da escala 6x1 vai impedir que mulheres frequentem salões de beleza aos sábados  |  Paulo Pinto/ Agência Brasil // Waldemir Barreto/Agência Senado

Publicado em 07/07/2026, às 12h32   Paulo Pinto/ Agência Brasil // Waldemir Barreto/Agência Senado   Matheus Simoni

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, saiu em defesa do fim da escala 6x1 e da equação envolvendo a produtividade e o descanso dos trabalhadores. Em entrevista nesta terça-feira (7), durante o programa De Cara Com O Líder da Baiana FM 89,3, o chefe da pasta afirmou que as elites brasileiras sempre estiveram no lado oposto do trabalhador quando a questão envolve melhoria na qualidade de vida.

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"Não é novidade a resistência de muitos setores empresariais a esse comportamento que vem sendo adotado em muitos países que passam por evolução de conquista de trabalhadoras e trabalhadores. Se você for olhar na história, quando o Brasil, acaba com a escravidão, a elite também reagiu dessa forma, falando que iria prejudicar a economia. Essa luta de classes é histórica em vários momentos. Quando se criou a CLT foi a mesma coisa, o direito de férias também foi a mesma coisa", disse Marinho.

O ministro relacionou ainda críticas feitas durante o período da escravidão no país com as falas que estão acontecendo nos dias atuais. "Em todo momento você acaba enfrentando isso. Tudo sempre era uma gritaria. Em 1988, quando a constituinte reduziu a jornada de trabalho, a pauta era 40h semanais. Mas ao reduzir para 44h, a elite empresarial também dizia que o Brasil não estava preparado para essa redução. E o que aconteceu no Brasil e no mundo sempre agregou fator positivo ao mercado de trabalho", apontou.

Você tem várias escalas de jornadas e tem segmento que tem três folgas na semana. Tem várias formas de organizar. Mas essa se revelou uma necessidade. A escala 6x1 elevou um processo de adoecimento na jornada de trabalho. Temos estudos que falam que você reduzindo a escala, você melhora as condições de trabalho, de saúde e também da produtividade", defendeu o chefe da pasta.

Nos últimos dias, repercutiu no noticiário uma fala da diretora-executiva jurídica da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Luciana Nunes Freire, que criticou o fim da escala 6x1, afirmando que isso impedirá que mulheres frequentem os salões de beleza aos sábados. A declaração foi feita durante sessão de debate sobre a proposta no Senado Federal. Questionado, o ministro tratou de rebater o posicionamento chamando-a de "dondoca".

Para Luiz Marinho, a declaração também remete ao período da escravidão.

"É lamentável. A Fiesp é uma instituição respeitada. Colocar uma senhora como diretora jurídica para fazer uma exposição dessa, que volta para a mentalidade da década de 1930, é lamentável. Ela só enxerga ela própria no mundo do trabalho e os outros são escravizados, tendo que atender ela na hora que ela quiser. É um direito dessas pessoas prestadoras de serviço", pontuou o ministro.

Mas quero tranquilizar a dra., porque o que se pensa no cenário das trabalhadoras que atuam na indústria da beleza, pedicure e manicure, é que, no sábado, a opção dessas trabalhadoras é trabalhar. Seguramente ela vai preferir a folga no domingo ou segunda, ou na quarta-feira. Se o salão for um bom empregador, vai saber fazer essa escala para dar oportunidade para essa manicure ver a assiduidade do filho na escola e administrar duas folgas para não prejudicar a dondoca diretora da Fiesp", declarou.

"Isso não deveria ser uma preocupação dela. Como profissional gabaritada, ela deveria estar preocupada em como fazer um ambiente para melhorar a produtividade [...]. O afastamento [por motivos de saúde] não é ruim somente para o SUS, mas é ruim também para a empresa porque diminui sua produtividade. Ela deveria estudar para entender antes de defender uma causa tão importante num Senado da República", finalizou Marinho.

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