Política

Moraes dá 48 horas para Bolsonaro explicar se autorizou vídeo com IA exibido em convenção do PL

Ministro do STF solicita que defesa de Jair Bolsonaro explique uso de sua imagem em vídeo gerado por inteligência artificial  |  Reprodução / Redes Sociais

Publicado em 28/07/2026, às 22h34   Reprodução / Redes Sociais   Davi Lemos

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu prazo de 48 horas para que a defesa de Jair Bolsonaro (PL) esclareça se o ex-presidente autorizou a utilização de sua imagem e de sua voz em um vídeo produzido com inteligência artificial. A peça foi exibida no último sábado (25), durante a convenção nacional do PL que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência da República.

No início da gravação, a representação virtual informa que o conteúdo foi produzido artificialmente. “Isso que vocês estão vendo aqui não sou eu. Isso é uma simulação da minha imagem e da minha voz feita com inteligência artificial”, diz o avatar. Na sequência, a versão digital de Bolsonaro classifica sua prisão como “injusta e arbitrária” e afirma que a medida não conseguiria “calar milhões de brasileiros”.

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O vídeo também apresenta Flávio como sucessor político escolhido pelo pai. “Por isso, peço que vocês recebam de braços abertos a pessoa que escolhi para me substituir, sangue do meu sangue, meu filho Flávio”, declara a imagem sintética, antes de concluir: “O Brasil tem futuro e o futuro é Flávio Bolsonaro presidente”. A gravação foi usada para reforçar o apoio do ex-presidente à candidatura do filho, já que Bolsonaro não esteve presencialmente no evento.

A determinação de Moraes ocorre porque Bolsonaro cumpre prisão domiciliar e está submetido a restrições de comunicação, entre elas a proibição de utilizar redes sociais diretamente ou por intermédio de terceiros. O esclarecimento solicitado pela Corte busca identificar se o ex-presidente participou da elaboração da mensagem ou consentiu com o uso de sua imagem e voz, o que poderá influenciar a avaliação sobre eventual descumprimento das medidas judiciais.

O vídeo também provocou questionamentos na Justiça Eleitoral. Uma ação apresentada pelo PT sustenta que a gravação configura propaganda eleitoral antecipada e uso irregular de conteúdo sintético para influenciar o eleitorado. A defesa de Flávio, por sua vez, argumenta que não houve tentativa de enganar os espectadores, pois a própria peça informa expressamente que se trata de uma simulação feita com inteligência artificial.

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