Política
Publicado em 30/09/2026, às 16h08 Vinicius Loures / Câmara dos Deputados Cauan Borges
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) retire do uma publicação que relaciona uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a conteúdo de conotação sexual que envolve crianças e adolescentes. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (30) pela ministra Estela Aranha, que deu prazo de 24 horas para a remoção.
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A magistrada também proibiu Nikolas de republicar o mesmo conteúdo ou materiais considerados “substancialmente idênticos”. A plataforma X, o antigo Twitter, foi notificada para cumprir a determinação e informar à Justiça Eleitoral quais providências foram adotadas. A decisão é liminar e ainda será submetida ao plenário do TSE.
A publicação questionada foi feita na terça-feira (29), depois que Nikolas compartilhou um trecho de uma declaração de Lula. Segundo a coligação “Brasil Pronto Pra Mais”, responsável pela ação apresentada ao TSE, o deputado retirou a fala do contexto original e atribuiu ao presidente uma conotação sexual relacionada a crianças e adolescentes.
A declaração do petista ocorreu durante um discurso sobre prevenção e tratamento do câncer de próstata, em Belém, capital do Pará. No contexto original, segundo a decisão, o presidente falava sobre a resistência de homens aos exames preventivos e fazia uma comparação com o acompanhamento médico realizado por mulheres.
Nós, hoje, fizemos a 1ª operação robótica de próstata aqui no Estado do Pará e no norte do país. A 1ª operação robótica. E por que isso é importante? Porque o homem é covarde. O homem não gosta de fazer teste de próstata. Ele não gosta de toque. As mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas. O homem não, ele é cheio de trejeito. Ele não sabe que, quando ele tiver câncer de próstata, vão dar muito toque nele”, declarou Lula durante comício em Belém.
Assista:
🚨URGENTE - Lula diz que homem não gosta de “tomar toque” e afirma que as mulheres aprender a “tomar toque” desde pequena
— SPACE LIBERDADE (@NewsLiberdade) September 29, 2026
“As mulheres aprendem a tomar toque desde quando é pequena (…) o homem não, ele não sabe que quando tiver câncer de próstata, vão dar muito toque nele” pic.twitter.com/61DQfZYEgn
Na publicação contestada, Nikolas apresentou outra interpretação para a declaração e associou o trecho a meninas e a práticas criminosas que envolvem crianças. Ao analisar o pedido, Estela Aranha entendeu que a postagem não representava apenas uma crítica política ou uma interpretação diferente da fala presidencial. Para a ministra, o conteúdo atribuiu à declaração um sentido diferente daquele apresentado no discurso original.
Segundo a decisão, a publicação poderia levar o público a interpretar que Lula estaria fazendo referência, concordando ou normalizando práticas criminosas envolvendo crianças e adolescentes. A ministra classificou a situação como uma construção discursiva distinta do contexto original da fala.
Na decisão, Estela Aranha afirmou que uma informação não precisa ser integralmente inventada para produzir desinformação, já que a distorção também pode ocorrer pela maneira como determinado conteúdo é apresentado.
A ministra ressaltou a proteção constitucional à liberdade de expressão, especialmente no debate político. Segundo a decisão, críticas e manifestações contundentes contra agentes públicos e governos fazem parte do debate eleitoral.
A desinformação eleitoral não se limita à mentira integralmente fabricada. A distorção também pode decorrer da maneira pela qual uma informação é apresentada", comunicou Estela.
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