Política
Publicado em 06/03/2025, às 17h37 Valter Campanato / Agência Brasil Redação
O mais recente relatório da ONU Mulheres, “Os Direitos das Mulheres em Revisão 30 Anos Após Pequim”, revela que, em 2024, quase um quarto dos governos em todo o mundo relataram retrocessos nos direitos das mulheres.
Apesar de avanços importantes, apenas 87 países já foram liderados por uma mulher, e uma mulher ou menina é morta a cada 10 minutos por um parceiro ou membro de sua própria família. A tecnologia digital e a inteligência artificial perpetuam estereótipos prejudiciais, enquanto a desigualdade de gênero no acesso ao digital limita as oportunidades para as mulheres.
Na última década, o número de mulheres e meninas vivendo em zonas de conflito aumentou em 50%, um crescimento alarmante, e defensoras dos direitos das mulheres enfrentam diariamente assédio, ataques pessoais e até a morte. Crises globais recentes—como a COVID-19, a emergência climática e o aumento dos preços dos alimentos e combustíveis—apenas tornam ainda mais urgente a necessidade de ação.
“Quando mulheres e meninas prosperam, todos nós prosperamos. No entanto, em todo o mundo, os direitos humanos das mulheres estão sob ataque. Em vez da normalização da igualdade, estamos vendo a normalização da misoginia. Juntos, devemos permanecer firmes para tornar os direitos humanos, a igualdade e o empoderamento uma realidade para todas as mulheres e meninas, para todas as pessoas, em todos os lugares”, declarou António Guterres, Secretário-Geral da ONU.
O ano de 2025 marca 30 anos de progresso desde a Declaração e Plataforma de Ação de Pequim, o roteiro mais visionário sobre os direitos das mulheres. O relatório “Os Direitos das Mulheres em Revisão 30 Anos Após Pequim”, baseado em informações fornecidas por 159 governos ao Secretário-Geral da ONU, mostra avanços que devem ser reconhecidos—desde 1995, a paridade foi alcançada na educação das meninas e a mortalidade materna caiu em um terço.
A representação das mulheres nos parlamentos mais do que dobrou, e os países continuam eliminando leis discriminatórias, com 1.531 reformas legais realizadas entre 1995 e 2024, em 189 países e territórios. O relatório demonstra que, quando os direitos das mulheres são plenamente garantidos, suas famílias, comunidades e economias prosperam.
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