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Política

PF é acionada para investigar suposta articulação eleitoral entre Vorcaro e aliados de Flávio Bolsonaro

De acordo com o relato, o banqueiro teria recebido a promessa de prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica após as eleições  |  Campanha Flávio Bolsonaro/Divulgação - Reprodução

Publicado em 09/10/2026, às 08h22 - Atualizado às 08h30   Campanha Flávio Bolsonaro/Divulgação - Reprodução   Redação Bnews

Advogados do grupo Prerrogativas acionaram a Polícia Federal (PF) para investigar uma possível articulação entre o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e pessoas ligadas à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), após relatos sobre a circulação de uma gravação com acusações contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e integrantes do governo.

O pedido, apresentado na quinta-feira (8), aponta suspeitas de interferência eleitoral e tentativa de desviar o foco das investigações sobre o escândalo financeiro às vésperas do segundo turno, marcado para 25 de outubro. As informações são do ICL.

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Advogados pedem investigação sobre gravação

A notícia de fato foi apresentada por Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida, integrantes do grupo Prerrogativas. Segundo o documento, um disco rígido (HD) com um depoimento atribuído a Vorcaro teria sido entregue a terceiros com acusações contra adversários políticos de Flávio Bolsonaro, integrantes do governo Lula e ministros de Estado.

Os advogados suspeitam que o material possa ser usado para atingir Lula em um momento decisivo da disputa presidencial, sem tempo suficiente para que as acusações sejam verificadas ou contestadas. A representação afirma que as alegações não teriam respaldo em provas e poderiam fazer parte de uma estratégia para tirar a atenção das investigações sobre o Banco Master.

Os autores, no entanto, ressaltam que não tiveram acesso à gravação. Por isso, pedem que a Polícia Federal confirme a existência, o conteúdo e a origem do material. Um áudio com esse teor foi publicado na quinta-feira (8) pelo site da revista Veja.

Vorcaro teria negociado entrevista na TV

A suspeita ganhou força após informações de que Vorcaro, preso preventivamente desde março, estaria negociando uma entrevista exclusiva com emissoras de televisão. Segundo a Folha de S.Paulo, intermediários do banqueiro procuraram a Globo, enquanto a Record também demonstrou interesse. A preferência seria pela emissora que oferecesse mais tempo de exibição.

Qualquer gravação realizada dentro da unidade prisional dependeria de autorização judicial.

Em declaração à Folha, Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do Prerrogativas e integrante da coordenação da campanha de Lula, afirmou ter recebido informações de que Vorcaro teria sido estimulado a prestar um depoimento sobre o financiamento de um documentário a respeito do presidente, dirigido pelo cineasta Oliver Stone.

De acordo com o relato, o banqueiro teria recebido a promessa de prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica após as eleições, enquanto seu pai, Henrique Vorcaro, seria libertado imediatamente.

O documentário Lula, dirigido por Oliver Stone, foi lançado em 2024. Marco Aurélio negou que a produção tenha recebido recursos de Vorcaro e afirmou que a suposta acusação buscaria estabelecer uma comparação com os repasses destinados ao filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro é investigado por repasses

A possível articulação apontada pelos advogados envolve uma relação financeira que já é alvo de investigação da Polícia Federal.

Em julho, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um inquérito para apurar repasses de Vorcaro à produção de Dark Horse. Flávio Bolsonaro e seu irmão, Eduardo Bolsonaro, foram incluídos entre os investigados.

A apuração teve origem em mensagens e áudios revelados pelo The Intercept Brasil, que mostraram Flávio negociando com o banqueiro um financiamento de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, para o filme sobre seu pai.

Segundo as informações que motivaram o inquérito, aproximadamente R$ 61 milhões teriam sido efetivamente transferidos. A Polícia Federal investiga o destino dos recursos e se parte do dinheiro foi utilizada para financiar atividades de aliados de Jair Bolsonaro nos Estados Unidos.

Flávio admitiu ter solicitado recursos para o longa-metragem, mas negou irregularidades e afirmou que os valores eram privados.

Na representação, os advogados sustentam que essa relação financeira deve ser considerada na apuração de uma possível interferência eleitoral. Para eles, uma eventual articulação poderia buscar tanto desviar a atenção das investigações sobre os repasses do Banco Master quanto divulgar acusações contra Lula e integrantes do governo em um momento decisivo da eleição.

O que os advogados querem que a PF investigue

A representação solicita que a Polícia Federal confirme a existência do suposto HD, identifique quem produziu e recebeu a gravação e reconstrua o caminho percorrido pelo material até seus possíveis destinatários.

Os advogados também pedem acesso aos registros de visitas, atendimentos e entrada de equipamentos eletrônicos na unidade prisional onde Vorcaro está custodiado, referentes aos últimos 90 dias. O objetivo é verificar se alguma gravação foi produzida no local e como o material poderia ter saído do presídio.

Outra frente envolve os intermediários que negociaram com as emissoras de televisão. O pedido é para identificar essas pessoas, verificar se receberam pagamentos e apurar possíveis vínculos com integrantes, fornecedores ou financiadores da campanha de Flávio Bolsonaro.

Caso a gravação seja localizada, os advogados querem que o conteúdo seja comparado aos depoimentos oficiais de Vorcaro e às propostas de colaboração premiada anteriormente rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

A notícia de fato aponta possíveis crimes de obstrução de investigação, denunciação caluniosa e divulgação de informações sabidamente falsas para influenciar o eleitorado. O enquadramento dependerá da comprovação dos fatos e da identificação dos responsáveis.

Os autores também solicitam que o caso seja comunicado ao ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master no STF, e à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE), para avaliação de eventuais providências.

A representação afirma que as diligências devem se concentrar na origem, na produção e na circulação do suposto material, com preservação da liberdade de imprensa e do sigilo das fontes jornalísticas.

Classificação Indicativa: Livre


TagsBanco MasterDaniel Vorcaroeleições 2026flávio bolsonaroLula

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