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Política

Prefeitura de Salvador autorizou intervalos maiores entre ônibus no dia da eleição, aponta documento

Segundo O Globo, ofício enviado ao Supremo indica mudanças em linhas da capital baiana; fiscalização encontrou 944 ônibus parados, e secretário teve prisão autorizada pela Justiça Eleitoral  |  Thiago Teixeira/BNews

Publicado em 27/10/2026, às 05h51 - Atualizado às 05h56   Thiago Teixeira/BNews   Redação Bnews

Documentos enviados pela Prefeitura de Salvador ao Supremo Tribunal Federal (STF) indicam que a gestão do prefeito Bruno Reis (União Brasil) autorizou intervalos maiores entre viagens de ônibus em linhas importantes da capital baiana durante o segundo turno das eleições, no domingo (25).

A situação foi questionada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), que acusou o município de prejudicar o deslocamento dos eleitores. Após denúncias de baixa circulação, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou a liberação integral da frota e chegou a autorizar a prisão do secretário municipal de Transportes, Pablo Souza.

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As informações foram publicadas pelo jornal O Globo, em reportagem assinada por Bernardo Mello nesta terça-feira (27).

Linhas de ônibus tiveram intervalos maiores

De acordo com o levantamento do jornal, a programação de viagens apresentada pela prefeitura para o domingo da eleição diferia dos horários informados pelo próprio município para os dias úteis. Um ofício enviado às empresas de ônibus em 19 de outubro previa intervalos maiores em linhas que atendem os terminais da Lapa, de Mussurunga e de Pirajá.

Tabela de viagens da prefeitura de Salvador para o domingo de eleição mostra linha 1328 (acima) com intervalos maiores do que operação regular em dias úteis (abaixo) — Foto: Montagem do GLOBO com fotos de Reprodução/STF e Prefeitura de Salvador

Na linha 1328, que liga as estações Pirajá e Mussurunga e tem conexão com o metrô, as viagens estavam previstas para ocorrer a cada 40 a 50 minutos no domingo. Em dias úteis, o intervalo informado pela secretaria responsável pelo transporte é de 25 a 30 minutos.

A linha 1246, entre Pirajá e Patamares, tinha previsão de intervalos de 70 minutos durante a eleição, contra 22 minutos em dias de semana. Já a linha 141, que sai da Estação da Lapa em direção ao Hospital Geral do Estado, no bairro de Brotas, operou com intervalo de 55 minutos, enquanto o habitual nos dias úteis é de 22 minutos.

Outra linha citada na reportagem é a 1324, que liga a Estação Pirajá ao bairro de Sete de Abril, passando por Cajazeiras. A frequência prevista para os dias úteis é de 26 minutos, mas o planejamento para o segundo turno indicava saídas a cada 40 ou 50 minutos. Segundo os documentos analisados, outras linhas mantiveram uma programação semelhante à dos dias úteis.

Fiscalização encontrou 944 ônibus parados

No domingo, Bruno Reis afirmou que a oferta de transporte havia sido ampliada em comparação com eleições anteriores, mas não detalhou quantos veículos estavam circulando.

Dados da Associação das Empresas de Transporte de Salvador, que reúne as três operadoras de ônibus da capital, apontam uma frota total de 1,7 mil veículos. Uma fiscalização do Procon estadual, órgão do governo da Bahia, contabilizou 944 ônibus parados em sete garagens, o equivalente a pouco mais da metade da frota.

Ao comentar a fiscalização, o prefeito afirmou que parte dos veículos estacionados poderia integrar a frota reserva.

“Não adianta ir agora para a garagem filmar um ou outro ônibus, porque tem ônibus que estão lá e fazem parte da frota reserva. As empresas são obrigadas a ter pelo menos 10% de frota reserva. (...) O decreto determina que os ônibus devem circular atendendo à demanda. Se houve descumprimento, foi por parte das empresas. A gente não pode afirmar que houve”, argumentou.

A prefeitura também atribuiu atrasos na circulação, durante a manhã, à presença de adesivos com o número 13 nos vidros de ônibus. Segundo a gestão municipal, os adesivos teriam sido colocados por sindicalistas apoiadores do PT. Imagens encaminhadas ao STF mostram funcionários removendo o material por volta das 8h.

Bruno Reis afirmou que a circulação foi normalizada às 10h30. O ex-governador da Bahia e ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), ironizou a justificativa nas redes sociais e questionou “quanto tempo demora para retirar um adesivo”.

TRE-BA determinou liberação da frota

Por volta das 11h de domingo, o PT apresentou uma petição ao TRE-BA cobrando a normalização do transporte público e pedindo a prisão em flagrante do secretário municipal de Transportes, Pablo Souza.

Às 13h, Souza, que estava em viagem na França, enviou ofícios às empresas de ônibus determinando o cumprimento imediato da operação com 100% da frota operacional programada para os dias úteis.

Ainda naquele domingo, o TRE-BA determinou a liberação integral da frota de transporte coletivo. No início da tarde, a Justiça Eleitoral também autorizou a prisão do secretário, sob o argumento de que a “retenção indevida da frota de ônibus públicos frustra a participação eleitoral dos cidadãos soteropolitanos”.

Como Souza estava fora do país, a ordem não foi cumprida imediatamente. Na segunda-feira (26), o tribunal revogou o pedido de prisão, mas orientou a continuidade das investigações sobre a conduta do secretário.

Em relatório de fiscalização realizado em uma garagem de ônibus do sistema BRT (Bus Rapid Transit), o supervisor Igor Cesar da Cruz Moraes relatou que a “frota que circula hoje (domingo de eleição) é inferior à frota que circula durante a semana”. Ele também afirmou que a concessionária “seguia orientação” da Secretaria Municipal de Transportes.

Questionada pelo jornal sobre o relato do supervisor e as diferenças nos intervalos das viagens, a prefeitura não respondeu.

Prefeitura contestou acusação no STF

Em manifestações encaminhadas ao STF e à Justiça Eleitoral, a Prefeitura de Salvador afirmou que a existência de ônibus estacionados faz parte do funcionamento normal do sistema e não comprova retenção intencional dos veículos.

A gestão municipal também argumentou que a convocação de 100% da frota durante a tarde exigiu chamar motoristas que estavam em período de descanso, o que poderia explicar atrasos na retomada do serviço.

“Cumpre ressaltar, sob a ótica da razoabilidade e da realidade dos fatos, que a ampliação repentina de uma frota complexa como a de Salvador não se opera em passe de mágica ou em velocidade instantânea”, declarou a prefeitura em resposta ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Abstenção caiu no segundo turno em Salvador

A discussão sobre a circulação dos ônibus também chegou ao STF por meio de uma reclamação apresentada pelo PT. O ministro Cristiano Zanin, relator do caso, decidiu no domingo estender o horário de votação das 17h para as 19h em todo o país. A medida, porém, foi aplicada em um número reduzido de seções eleitorais, porque a decisão saiu quando a maioria das urnas já estava fechando.

O PT ampliou o pedido inicial, que tratava da Bahia, às 15h42, anexando relatos de problemas semelhantes em outros estados. Antes disso, o partido já havia levado a situação ao presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, que não tomou decisão ao longo da tarde.

Em Salvador, a abstenção caiu de 20,1% no primeiro turno para 15,7% no segundo. Na votação de domingo, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu 73,3% dos votos válidos na capital baiana, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) obteve 26,7%.

Classificação Indicativa: Livre


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