Política
Publicado em 24/09/2026, às 16h10 - Atualizado às 16h48 Ricardo Stuckert - PR / Lara Curcino - BNews Cauan Borges e Lara Curcino
O presidente do Instituto Brasileiro do Jogo Responsável (IBJR), Carlos Lima, afirmou, em entrevista ao BNews, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não se reuniu diretamente com representantes do setor de apostas durante as discussões do governo federal sobre uma possível proibição das bets no Brasil. De acordo com Lima, a ausência de diálogo causa preocupação diante da possibilidade de mudanças na regulamentação do segmento.
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Segundo o dirigente, o instituto já manteve conversas com diferentes órgãos do governo, entre eles a Secretaria de Prêmios e Apostas, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) e a Cedig. No entanto, o líder da entidade afirmou que o setor ainda não teve a oportunidade de apresentar diretamente ao presidente Lula seus argumentos sobre a regulamentação das apostas.
O IBJT entende que a proibição do jogo no Brasil não é a solução para enfrentar os problemas relacionados ao jogo de hoje. O jogo sempre existiu no Brasil. O Brasil evoluiu muito na criação de um marco regulatório robusto, recente ainda. Portanto, a gente acha que proibir o jogo no Brasil, você só vai ter um incentivo para o mercado ilegal”, afirmou.
Na avaliação de Carlos Lima, uma eventual proibição não eliminaria as apostas, mas poderia levar parte dos usuários para plataformas clandestinas, que não estariam submetidas às mesmas regras impostas às empresas autorizadas a operar no país.
Algumas pessoas talvez parem de apostar, talvez parem de jogar, mas uma grande parte dessa parcela migrará para o mercado ilegal e estarão expostas a todas as mazelas e riscos do mercado ilegal de apostas”, declarou.
Ao comentar a interlocução com o governo, o presidente do IBJR disse que o setor participou de reuniões com integrantes da estrutura federal, porém não conseguiu uma audiência direta com o atual líder de estado, candidato à reeleição.
Agora, a gente não teve a oportunidade de ser recebido pelo presidente Lula, o que nos deixou muito preocupados, porque o presidente Lula acabou ouvindo uma versão, que é uma versão da sociedade civil. A sociedade civil precisa ser ouvida, é um parceiro, claro, importante de ser ouvido, mas o presidente Lula não ouviu o setor”, disse.
Lima também questionou estudos utilizados nas discussões sobre os impactos das apostas no país. Segundo o líder do intituto, seria necessário analisar as metodologias empregadas e verificar se as pesquisas diferenciam o mercado legal do clandestino, além de considerar se os levantamentos foram realizados antes ou depois da regulamentação do setor.
E até muitos dos estudos que foram apresentados para o presidente Lula são estudos que merecem ser olhados com mais atenção. Metodologia aplicada naqueles estudos, se a realidade é realmente uma realidade brasileira, se aqueles estudos fazem distinção entre mercado clandestino e mercado legal, se são estudos antes da regulação ou pós-regulação”, afirmou.
O presidente do IBJR defendeu ainda que o processo de regulamentação implementado pelo governo seja considerado nas discussões sobre o futuro das apostas no país: “E volto a dizer, o Brasil avançou muito na regulação do jogo, o Brasil precisa ter orgulho da regulação robusta que o Brasil tem hoje”, completou.
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