Esporte

Ex-artilheiro do Vitória revela tiros na concentração do Rubro-Negro com ídolo do Bahia e admite golpes: “Perdi muita grana”

Divulgação / Meu Vitória
Em entrevista, ex-artilheiro do Vitória discute sua carreira e revela momentos que marcaram sua trajetória no futebol, como revela tiros na concentração do Leão da Barra  |   Bnews - Divulgação Divulgação / Meu Vitória
Cauan Borges

por Cauan Borges

borgesjornalismo2023@gmail.com

Publicado em 24/09/2026, às 13h17 - Atualizado às 13h31



O ex-atacante Edílson, conhecido como 'Capetinha', campeão mundial com a Seleção Brasileira em 2002 e ídolo do Vitória, relembrou episódios marcantes e controversos de sua carreira em entrevista ao Globo Esporte divulgada nesta quinta-feira (24).

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Entre as histórias contadas pelo ex-jogador estão o prejuízo milionário após investimentos na empresa Boi Gordo e uma confusão com o então técnico do Vitória, Evaristo de Macedo (ícone de clubes como Bahia, Barcelona, Real Madrid e Flamengo), que terminou com tiros disparados na concentração do clube.

Edílson contou que a vida financeira após a aposentadoria não saiu como imaginava. Segundo o ex-atacante, parte significativa do patrimônio construído durante a carreira foi perdida em investimentos considerados pelo próprio ex-participante do Big Brother Brasil como equivocados, que inclui a aplicação na Boi Gordo, empresa que entrou em processo de falência.

Perdi muita grana em fazer investimentos errados. Você tem que ter gestor financeiro dentro do projeto, pessoas de confiança para que não perca o seu dinheiro. Investi na época do Boi Gordo. Não só eu, outros jogadores também. Depois decretaram falência, a gente deixou muito dinheiro e até hoje não foi resolvido esse negócio. Tenho uma grana pesada lá para receber e até hoje não recebi. Se for calcular, desde 1998, 1999, dá para ficar com o burro na sombra. Ah, meu Deus do céu! Mas são coisas que acontecem, são erros que a gente comete. Talvez a gente passe por isso para ser exemplo para os jogadores mais jovens não caírem nessa lábia de pessoas que vêm com maldade para cima para poder aplicar o golpe”, afirmou.

Atualmente, Edílson trabalha oferecendo serviços de assessoria para ex-atletas e jogadores em atividade. A experiência com os próprios investimentos, segundo ele, serve como alerta para quem ainda está construindo patrimônio por meio do futebol.

Tiros na concentração do Vitória

Outro episódio relembrado pelo ex-jogador aconteceu durante sua primeira passagem pelo Vitória e envolveu Evaristo de Macedo, em 2004. A concentração do Rubro-Negro havia sido assaltada dias antes, e Edílson decidiu fazer uma brincadeira com os companheiros ao chegar ao local.

Foi uma brincadeira sem graça que virou uma coisa enorme. A concentração do Vitória tinha sido assaltada numa quinta-feira. Era a época dos tênis Nike 12 molas, que valiam para caramba. Alguns jogadores mais jovens, como o Obina, o Magno e o Leandro Domingues, moravam lá. Os assaltantes perguntaram por mim: ‘cadê o Capetinha?’. Como eu era o principal jogador, queriam saber de mim. A galera avisou que eu não concentrava naquele dia”, contou.

Segundo Edílson, a situação começou depois de uma discussão com Evaristo sobre a concentração para o jogo contra o São Paulo. O treinador havia determinado que o atacante deveria dormir no local, enquanto o jogador alegou que só iria se recebesse autorização do presidente Paulo Carneiro.

Na sexta-feira, fui treinar e o Obina me contou isso. O jogo contra o São Paulo seria no domingo. Falei para o Evaristo: ‘Não vou concentrar hoje, não’. Ele respondeu: ‘Se não vier concentrar, não vai jogar’. Eu rebati: ‘quem manda no time não é você, é o presidente Paulo Carneiro. Se ele falar que vou jogar, eu jogo’. O Evaristo falou: ‘não venha concentrar e vamos ver se você joga’”, relatou.

Edílson afirmou que, após conversar com Paulo Carneiro, decidiu comparecer à concentração mais tarde. Ao chegar, viu o presidente, Evaristo e outros jogadores próximos à piscina e resolveu assustá-los.

Cheguei umas 22h30. Todo mundo já tinha lanchado. Estavam o Evaristo, o Cleber Santana, o Obina e o presidente conversando na beira da piscina. Eu cheguei de carro e os vi lá embaixo. Pensei: ‘vou dar um susto nos caras’”, disse.

O ex-jogador afirmou que possuía porte de arma na época e contou que disparou para o alto ao chegar ao estacionamento da concentração. Depois dos disparos, Edílson foi para o quarto e, segundo o ex-BBB, recebeu a visita de Amaral, que o chamou para uma reunião com os demais envolvidos.

Quando abriram o portão, desci de primeira, segunda marcha... Imagina, a concentração tinha sido assaltada um dia antes! Cheguei no estacionamento, puxei o freio de mão e dei um cavalo de pau. Poeira para todo lado. Baixei o vidro e dei um monte de tiro para cima. Cara, que estrago! O presidente se jogou na piscina, um correu para o mato, outro torceu o pé, outro entrou na cozinha e quebrou o vidro. Eu fui para o meu quarto, tranquei a porta e fiquei ouvindo o barulho lá fora: ‘eita, o bicho tá pegando’. Aí chegou o Amaral batendo na porta: ‘macaco, macaco!’. Ele sempre me chamou assim. ‘Reunião para você pedir desculpa’. Eu falei: ‘pô, Amaral, já são quase meia-noite. Reunião a essa hora?’”, afirmou.

A discussão posteriormente envolveu Evaristo de Macedo. Edílson relatou que o treinador o chamou de “bandido” e fez referência à saída do jogador do Flamengo: “O Evaristo começou a falar um monte de groselha: ‘você é jogador ou bandido? Foi uma brincadeira? Por isso você foi embora do Flamengo, porque é bandido’. O Evaristo contava com orgulho no vestiário que foi o único treinador que deu um soco no Romário”, contou.

De acordo com Edílson, a situação ficou ainda mais tensa quando Evaristo tocou em seu ombro. O ex-atacante afirmou que interpretou o gesto como uma possível agressão e empurrou o treinador.

Quando começamos a discutir, o presidente tentava acalmar, o Evaristo bateu no meu ombro. Pensei: ‘esse velho vai me dar um soco igual deu no Romário’. Quando me virei, já fui empurrando, e ele caiu. Aí o presidente cravou: ‘você não vai jogar’”, relatou.

Edílson acabou não participando da partida contra o São Paulo, que terminou com derrota do Vitória por 4 a 0, no Barradão. O atacante voltou aos treinamentos apenas na terça-feira seguinte. Anos depois, o ex-jogador reconheceu que a atitude foi equivocada e aproveitou a entrevista para pedir desculpas novamente a Evaristo.

Fui mal para caramba. Não deveria ter feito aquela brincadeira sem graça, nem ter empurrado o Evaristo para me proteger. Ele foi meu treinador no Corinthians, me ajudou muito, era um cara mais velho que eu tinha que respeitar. Acabei não respeitando, mas já pedi desculpas a ele. Aproveito aqui para pedir desculpas a ele mais uma vez”, afirmou.

Carreira de Edílson

Edílson disputou 711 partidas e marcou 305 gols durante a carreira, 23 com a camisa do Leão da Barra. Além da equipe de Canabrava, o ex-atacante passou por clubes como Guarani, Palmeiras, Benfica, Corinthians, Flamengo, Cruzeiro, Kashiwa, Al Ain, São Caetano, Vasco, Bahia e Taboão da Serra.

Entre os principais títulos conquistados estão a Copa do Mundo de 2002, o Mundial de Clubes de 2000, três Campeonatos Brasileiros, a Copa dos Campeões de 2001, quatro Campeonatos Paulistas, dois Campeonatos Baianos, dois Campeonatos Cariocas, a Copa Sul-Minas e o Torneio Rio-São Paulo.

Classificação Indicativa: Livre

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