Política
Publicado em 20/11/2024, às 12h09 Marcelo Camargo / Agência Brasil | Montagem: BNEWS Rebeca Silva
A investigação da Polícia Federal (PF), que revelou um plano para matar Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Geraldo Alckmin (PSB) e Alexandre de Moraes (STF), reúne conversas com teor golpista trocadas entre os acusados.
Na última terça-feira (19), a Polícia Federal prendeu cinco pessoas na Operação Contragolpe. Entre elas, está o general da reserva Mario Fernandes, apontado como o autor do plano de execução das autoridades.
De acordo com informações da CNN, segundo os investigadores, ele é tido também como uma das vozes mais radicais na tentativa de um golpe de Estado para impedir a posse de Lula.
O relatório da PF traz as transcrições de conversas a respeito do plano.
Um diálogo entre Fernandes e o coronel Reginaldo Vieira de Abreu, que atuou como chefe de gabinete do general da reserva na Secretaria-Geral da Presidência da República, faz referência a uma frase comumente dita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre as “quatro linhas da Constituição” — ou os limites da legalidade.
Reginaldo, conhecido como Velame, diz no dia 5 de novembro de 2022: “O senhor me desculpe a expressão, mas quatro linhas é o caralho. Quatro linhas da Constituição é o caceta. Nós estamos em guerra, eles estão vencendo, está quase acabando e eles não deram um tiro por incompetência nossa. Incompetência nossa, é isso. Estamos igual o sapo, a história do sapo na água quente. Você coloca o sapo na água quente, ele não sente a temperatura da água mudar e vai se aumentando, aumentando, aumentando quando vê ele tá morto. É isso.”
No dia 4 de novembro de 2022, houve conversas entre Fernandes e um contato identificado pela PF como Helio Osorio Coelho. O interlocutor fala ao general em “ir pra guerra” e diz estar “pronto a morrer” para garantir a “liberdade” do país.
“General, eu, eu, Hélio Coelho, cara, desculpa até falar isso, né? Chamar de cara, mas é pela amizade que a gente tem. Olha, general, eu sou capaz de morrer, cara, pelo meu país, sabia? Pelo meu presidente, cara. Sou capaz de morrer por essa nação. A ter que viver sob julgo de bandidos criminosos, entendeu? Comunistas. Eu sou capaz de morrer, cara, por essa nação. Senhor pode ter certeza disso. Não só eu, mas milhares e milhares de pessoas, entendeu? Eu não consigo vislumbrar, né, meus sobrinhos, né, minhas sobrinhas, os filhos pequenos de meus amigos, das minhas amigas, ficando sob o julgo desse vagabundo. Não consigo imaginar. Eu prefiro ir pra guerra. Eu prefiro ir pro campo de batalha, entendeu? Viver a pátria livre ou morrer pelo Brasil, entendeu? Aprendi isso na caserna. Honrar a minha bandeira. Honrar o meu presidente. Então, eu tô pedindo a Deus pra que o presidente tome uma ação enérgica e vamos, sim, pro vale tudo. E eu tô pronto a morrer por isso. Porque o que adianta viver sem honra? O que adianta andar na rua de cabeça baixa e não poder bater no peito que um dia eu lutei pela liberdade.”
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