Política

Secretário rebate vereadora petista e diz que nova licitação garante retomada imediata de escola no Curralinho

Prefeitura rescindiu contrato, mas a mesma empresa para continuar as obras  |  Divulgação

Publicado em 30/06/2026, às 13h19   Divulgação   Redação

O secretário municipal da Educação de Salvador, Thiago Dantas, rebateu nesta terça-feira (30) as críticas da vereadora Marta Rodrigues (PT) sobre a rescisão do contrato para conclusão das obras da Escola Municipal do Curralinho, unidade voltada ao atendimento de estudantes público-alvo da educação especial.

A unidade educacional foi anunciada pelo prefeito Bruno Reis (União Brasil) em 2021, com ordem de serviço anunciada no ano seguinte. Nesta semana, o município anunciou a revogação do contrato inicial da obra, apontando que a rescisão contratual ocorreu de forma “consensual”.

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De acordo com o secretário, a rescisão do contrato anterior foi uma medida administrativa necessária para viabilizar uma nova contratação, garantindo melhores condições técnicas para a conclusão da obra e maior eficiência na aplicação dos recursos públicos. A homologação da nova licitação foi publicada oficialmente no último dia 29 de junho. A empresa contratada é a Nordeste Engenharia, a mesma do contrato anterior.

"É preciso tratar esse tema com responsabilidade. Não estamos diante de uma obra paralisada, mas de uma obra que teve seu contrato readequado para garantir a conclusão com segurança jurídica, qualidade e responsabilidade na aplicação do dinheiro público. Todas as providências já foram adotadas e a obra será retomada imediatamente", afirmou Thiago Dantas.

Segundo a Secretaria Municipal da Educação (Smed), com a empresa vencedora já definida, a previsão é de que a unidade seja concluída em aproximadamente cinco meses. A escola será destinada ao atendimento especializado de estudantes com deficiência e integra a política de ampliação da educação especial da rede municipal.

Thiago Dantas também lamentou o uso político do tema. "Nosso compromisso é com as famílias e com os estudantes. É lamentável que um equipamento tão importante seja utilizado como instrumento de exploração política. O nosso foco é entregar uma escola de excelência, preparada para oferecer um atendimento digno, humanizado e de qualidade às crianças que mais precisam", declarou.

Demora

A obra deveria ter sido entregue em 2023. No entanto, quatro anos depois, a construção estava sem previsão de conclusão. Para as obras, a gestão municipal já havia pago mais de R$ 12,5 milhões, sendo R$ 10 milhões oriundos do Ministério da Educação (MEC) durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), custeando boa parte do empreendimento.

Custos altos

Os custos da escola saltaram desde a assinatura da ordem de serviço. Uma reportagem da BNews Premium, editoria de matérias especiais sobre denúncias, investigações e apurações exclusivas, de março de 2025 revelou com exclusividade que os valores saltaram de R$ 12 milhões para R$ 16,2 milhões, devido aos quatro aditivos aprovados pela prefeitura de Salvador ao longo do período.

Tomando como base o orçamento inicial do projeto, o governo Bolsonaro arcou com pouco mais de R$ 9,6 milhões via Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O restante ficou a cargo da prefeitura de Salvador — cerca de R$ 6,6 milhões, com os aditivos já contabilizados.

Segundo dados recentes do Portal da Transparência, a gestão municipal destinou cerca de R$ 12.590.321,77 entre os anos de 2021 a 2025.

Ainda segundo os dados, a empresa Nordeste Engenharia, responsável pela construção, recebeu estimados em R$ 4,3 milhões em 2023, R$ 2,6 milhões em 2024 e apenas R$ 296 mil em 2025. Em 2026 a empresa não recebeu nenhum outro repasse antes do cancelamento do contrato.

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