Política

Servidor faz revelação bombástica sobre medida da PRF nas fiscalizações dos ônibus com destino ao nordeste nas eleições de 2022

O servidor revelou que havia um "desespero" em obter dados sobre locais onde Lula tinha mais votos  |  Ricardo Stuckert/PR/Reprodução

Publicado em 20/05/2025, às 08h32   Ricardo Stuckert/PR/Reprodução   Rebeca Santos

Em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) na última segunda-feira (19), Adiel Pereira Alcântara, ex-coordenador de análise de inteligência da Polícia Rodoviária Federal (PRF), afirmou que o então diretor-geral da corporação, Silvinei Vasques, exigia fotos das abordagens a ônibus durante as eleições de 2022.

Alcântara declarou que a PRF determinou um policiamento direcionado em certas regiões no dia da votação para presidente.

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Segundo ele, participou de uma reunião presidida por Djairlon Henrique Moura, então diretor de operações da PRF, na qual foi solicitado que a inteligência apoiasse as abordagens a ônibus e vans com origem em Goiás, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, e destino ao Nordeste.

O ex-coordenador afirmou que as ordens teriam vindo do governo, sob a justificativa de "segurança viária". Ele também criticou a gestão de Vasques, dizendo que o ex-diretor-geral agia de forma "imprópria" ao exigir um "policiamento direcionado".

"O DG (diretor-geral) cobrou fotos das abordagens dos ônibus aos superintendentes. Eu era muito crítico à gestão do Vasques, porque ele estava muito próximo do ex-presidente e vinculando a imagem da corporação ao ex-presidente. Eu ouvi que era ordem do DG esse policiamento direcionado. Foram as nuances que fui juntando e cheguei a essa conclusão. Ele estava fazendo uma polícia de governo, não de Estado. Isso era muito ruim para a PRF", declarou Alcântara ao STF.

Clebson Ferreira de Paula Vieira, analista de inteligência da PRF e policial militar, também depôs e expressou estranheza com os pedidos da cúpula.

Ele relatou que havia um "desespero da cúpula" em obter dados sobre locais onde Lula tinha mais votos e Jair Bolsonaro, menos.

O caso faz parte das investigações do núcleo 1 da ação penal no STF, que apura suposto abuso de poder político nas eleições de 2022.

As declarações reforçam as acusações de que a PRF teria atuado de forma parcial sob comando da gestão anterior.

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