Política
Publicado em 16/09/2026, às 21h30 - Atualizado às 21h35 Gustavo Moreno/STF Davi Lemos
A Transparência Internacional no Brasil manifestou, nesta quarta-feira (16), “extrema preocupação” com os acontecimentos da sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada na terça-feira (15), que discutiu a possibilidade de abertura de investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. Para a entidade, o julgamento revelou “uma preocupante resistência institucional” à apuração dos fatos.
Segundo a organização, a discussão não tratava de uma eventual condenação de Moraes, mas apenas da possibilidade de investigar fatos que, segundo a nota, são sustentados por evidências já conhecidas publicamente. A Transparência Internacional afirmou que a sessão foi marcada por “manobras obstrutivas”, tentativas de deslegitimação do procedimento e conflitos processuais.
A entidade também apontou possíveis conflitos de interesse no julgamento. Entre os pontos citados estão a participação de Moraes, diretamente relacionado ao objeto da investigação, a ausência de declaração de suspeição pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, e as abstenções de ministros cujos nomes, segundo a organização, também aparecem relacionados aos fatos. A Transparência Internacional ressalvou que questionamentos sobre a condução processual do ministro André Mendonça devem ser analisados nos “foros apropriados”.
Para a organização, o episódio contribuiu para ampliar a percepção de falta de responsabilização no país. “A principal consequência desse julgamento é o agravamento da percepção de impunidade”, afirmou a entidade, acrescentando que a resistência à apuração na etapa preliminar pode comprometer a confiança na condução de eventuais diligências, denúncias e julgamentos posteriores.
A Transparência Internacional também criticou o comportamento dos ministros durante a sessão, mencionando “ataques pessoais, intimidações, agressões verbais” e episódios de contestação à autoridade da presidência da Corte. Na avaliação da entidade, o episódio ultrapassa os limites do Judiciário e pode afetar a confiança nas instituições em um contexto de polarização política e proximidade das eleições.
Ao final da nota, a organização defendeu que os mecanismos institucionais de controle atuem no caso. Pediu o afastamento de Gonet e a designação de outro membro do Ministério Público para conduzir eventuais investigações, além da retomada do julgamento pelo plenário do STF após a devolução do processo pelo ministro Flávio Dino. A entidade advertiu ainda que, sem respostas institucionais, pode crescer a pressão por mecanismos “extraordinários de responsabilização, como os processos de impeachment”.
Julgamento no STF projeta grave risco de impunidade e aprofunda crise institucional
— Transparência Internacional - Brasil (@TI_InterBr) September 16, 2026
A Transparência Internacional - Brasil manifesta extrema preocupação com os acontecimentos observados na sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal realizada em 15 de setembro de 2026.
O… pic.twitter.com/0gNFglsWbd
Ipsos-Ipec: avaliação negativa do governo Lula sobe para 43% e desaprovação chega a 53%
Direto de Brasília: STF tem clima ameno após bate-boca em sessão sobre Moraes