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Política

'Tropa do KN' e encontro com garota de programa: relembre ligações do presidente do TSE com o Caso Master

Criticado pela atuação no TSE, Kassio Nunes Marques também teve nome divulgado em mensagens do Caso Master  |  Gustavo Moreno/SCO/STF

Publicado em 11/10/2026, às 13h53   Gustavo Moreno/SCO/STF   Matheus Simoni

As recentes decisões do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, gerou uma onda de suspeitas em relação à atuação do magistrado em favor de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em sua campanha presidencial. Indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo pai do presidenciável, Jair Bolsonaro, ele chegou a provocar desconforto entre integrantes da própria Corte por uma atuação de blindagem para evitar derrotas do candidato do PL.

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A mais recente foi a derrubada do chamado “Exército do Lula”, canal da campanha petista no WhatsApp que reuniu cerca de 3,3 milhões de seguidores em poucos dias. Semanas atrás, Nunes Marques também determinou a remoção de um jingle utilizado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na campanha contra Flávio Bolsonaro. 

O nome de Nunes Marques passou a ter ampla repercussão nos últimos meses em função da revelação de mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo diálogos obtidos pela Polícia Federal e enviadas ao Supremo Tribunal Federal (STF), um contrato de advocacia de R$ 427 milhões com a chamada “Turma do KN” teria sido negociado pelo banco. O repasse seria feito em caso de resultados favoráveis em ações de interesse do Master em tribunais superiores, podendo gerar uma liberação de R$ 8,5 bilhões em precatórios.

Ainda de acordo com as mensagens, “KN” seria uma menção ao próprio Kassio Nunes Marques, sendo que a "turma" estaria em referência ao desembargador Newton Ramos e a esposa dele, a advogada Camilla Ramos. As informações sobre o contrato foram reveladas pelo portal Metrópoles e confirmadas pela CNN Brasil. À imprensa, o ministro classificou a divulgação das mensagens como uma tentativa de criar narrativa para incriminá-lo por ocupar atualmente a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Além disso, ele nega ter trocado qualquer tipo de mensagem com Vorcaro.

A PF encontrou pedidos, feitos por supostos membros da "turma do KN", para incluí-los em hospedagem no hotel Fasano, cujas diárias custam a partir de R$ 3,2 mil, em corridas da Fórmula 1 no autódromo de Interlagos e até para fornecer acesso a um dos camarotes da Marquês de Sapucaí, no Carnaval do Rio de Janeiro.

O filho de Nunes Marques

A investigação da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que mira principalmente o Banco Master, também cita diálogos entre Vorcaro e o ex-diretor jurídico do Banco Master, Luiz Rennó, em que são discutidos supostos pagamentos mensais de R$ 500 mil ao advogado Kevin Marques, filho de Nunes Marques. Na época da revelação dos fatos, ele informou que nunca prestou serviços e jamais recebeu recursos do Banco Master ou do banqueiro. Kevin explicou, por meio da defesa, que os pagamentos recebidos (na ordem de R$ 281,6 mil) vieram de uma empresa chamada Consult por serviços tributários específicos, sem nenhuma relação com o STF.

Encontros íntimos

Na esteira da divulgação das mensagens, um suposto encontro de Kássio Nunes Marques com uma garota de programa paga por Daniel Vorcaro teria ocorrido em um apartamento de luxo em São Paulo que pertenceu a uma empresa ligada a Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro. A revelação foi feita pelos sites Alma Preta e ICL Notícias.

Na época do suposto encontro, o imóvel pertencia à Super Empreendimentos e Participações S.A, que teve como diretor Fabiano Zettel, ex-pastor da Igreja Lagoinha e casado com Natália Vorcaro. Ele é apontado pelas investigações da PF como o operador financeiro dos esquemas de lavagem de dinheiro do Banco Master e encontra-se preso desde março.

No celular de Daniel Vorcaro, a PF encontrou conversas de março de 2025 com uma interlocutora identificada como "Rayanna". Ela afirmava que uma amiga havia "ficado com o Kassio" e que estava cobrando pelo encontro. Vorcaro pediu os dados e ela respondeu pedindo o valor de R$ 10 mil, enviando uma chave Pix para o pagamento.

O ministro Kassio Nunes Marques negou veementemente qualquer encontro desse tipo, bem como a troca de mensagens com o ex-banqueiro ou qualquer recebimento de valores.

Suspeição declarada

A divulgação das mensagens impactou diretamente na atuação de Nunes Marques no STF. No início do mês passado, durante o julgamento da investigação envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro no Supremo Tribunal Federal (STF), ele se declarou impedido de participar da sessão que julgaria as mensagens obtidas pela PF. A declaração aconteceu após relatório lido pelo presidente do STF, Edson Fachin. Nunes Marques ainda negou qualquer tipo de interferência de Vorcaro na Corte.

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