Política
Publicado em 09/10/2026, às 05h50 - Atualizado às 06h00 Reprodução Redação Bnews
O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, afirmou ter liberado cerca de R$ 30 milhões em dinheiro vivo para financiar um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em uma negociação que, segundo ele, estaria ligada à tentativa de acessar recursos de fundos de pensão federais.
A informação foi publicada pela revista Veja nesta sexta-feira (9), com base em supostos áudios, documentos e relatos atribuídos ao empresário. A publicação ressalta, contudo, que não há prova de que Lula tenha se reunido com Vorcaro na ocasião mencionada nas mensagens.
De acordo com a reportagem, Vorcaro relatou às autoridades que o pagamento teria sido negociado com o ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), João Vaccari Neto, e destinado a cobrir despesas da produção de um documentário sobre Lula no exterior, além de outros repasses ao Instituto Lula. A revista afirma que o banqueiro apresentou essas informações em um anexo relacionado à tentativa de firmar um acordo de delação premiada.
As alegações, porém, não equivalem a fatos comprovados judicialmente. Segundo a própria Veja, a Procuradoria-Geral da República (PGR) não deu prosseguimento ao caso por considerar que não havia provas suficientes dos pagamentos, que teriam sido feitos em espécie. A defesa de Vorcaro afirmou que existiriam outros elementos para sustentar o relato.
Em um áudio obtido pela Veja, Vorcaro fala sobre o financiamento do documentário e diferencia o suposto pagamento relacionado à produção sobre Lula do patrocínio ao filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Banco do Brasil a gente estruturou isso com ele. É… O Augusto adianta ali para o Okamotto do Instituto Lula… E aí tem o negócio do filme também. O cara pede para colocar dinheiro no filme do Lula. Tudo no… (inaudível) O filme do Lula eu coloquei acho que até mais, eu acho que dá até mais. Só que o do Lula foi por fora, foi errado. O do Flávio não foi porque foi patrocínio, foi patrocínio normal”, teria dito Vorcaro.
Conforme a reportagem, o documentário citado é Lula, dirigido pelo cineasta Oliver Stone. A produção reuniu depoimentos de pessoas próximas ao presidente.
Em relato atribuído ao banqueiro, o pagamento de aproximadamente R$ 30 milhões teria sido apresentado como uma condição para viabilizar o credenciamento do Banco Master junto a fundos de previdência de servidores públicos. Vorcaro também teria relatado a cobrança de uma taxa de 10% sobre os valores captados nessas instituições.
A revista afirma que, caso as operações planejadas tivessem sido concretizadas, os pagamentos poderiam beneficiar integrantes do grupo político citado pelo banqueiro.
A reportagem também atribui a Vorcaro relatos sobre a participação do ministro Alexandre Padilha, do então secretário-executivo da Secretaria de Relações Institucionais, Olavo Noleto, e de operadores ligados a eles nas articulações para aproximar o Banco Master dos fundos de pensão.
Segundo o banqueiro, seu então sócio, Augusto Lima, teria participado das primeiras conversas com Vaccari, com a intermediação do senador Jaques Wagner (PT-BA), que à época liderava o governo Lula no Senado.
A Veja relata ainda que mensagens encontradas no celular de Vorcaro pela Polícia Federal (PF) mostrariam contatos entre o banqueiro e pessoas envolvidas nas tratativas para viabilizar reuniões com dirigentes de fundos de previdência.
De acordo com a publicação, o Banco Master foi incluído, em 29 de abril de 2024, na lista de instituições financeiras autorizadas a receber recursos desses fundos. A reportagem também menciona uma transferência de R$ 500 mil que, segundo o relato do banqueiro, teria sido solicitada por um operador no mesmo dia.
Essas informações integram a narrativa apresentada por Vorcaro e os elementos descritos pela revista. No entanto, segundo os investigadores, a existência dos contatos, por si só, não comprovaria que os pagamentos relatados tenham sido realizados como propina.
Procurado pela Veja, Lula negou ter solicitado ou recebido vantagens financeiras do banqueiro, assim como ter autorizado terceiros a receber recursos em seu nome.
Noleto afirmou não ter relação com Vorcaro nem ter recebido dinheiro dele. Padilha também negou relação com o banqueiro.
Segundo a reportagem, os demais citados não haviam se manifestado até o fechamento da publicação.
A revista afirma que Vorcaro apresentou às autoridades conversas de WhatsApp, registros de entrada no Palácio do Planalto, e-mails, atas de reuniões, comprovantes de pagamento e informações sobre voos que, segundo ele, sustentariam suas acusações.
A publicação ressalta, contudo, que não há prova de que Lula tenha se reunido com Vorcaro na ocasião mencionada nas mensagens. O encontro confirmado no Palácio do Planalto ocorreu em 4 de dezembro de 2024, fora da agenda oficial, e teve como pauta a situação do Banco Master junto ao Banco Central, segundo a reportagem.
Valdemar Costa Neto afirma que fim da reeleição não valeria para eventual governo de Flávio Bolsonaro
Sombra Retrô: O Anão do Baby Beef
Flávio Bolsonaro reage à prisão do irmão e ameaça Moraes com impeachment
Michelle Bolsonaro, Celina Leão e Erika Kokay se destacam na votação da Papuda