Política

Vorcaro nega propina a servidores do BC, mas admite “agrado” com viagem à Disney

O ex-dono do Banco Master admitiu ter oferecido um serviço de concierge a um servidor do Banco Central durante viagem à Disney  |  Divulgação / Arquivo

Publicado em 04/09/2026, às 19h05 - Atualizado às 19h10   Divulgação / Arquivo   Redação Bnews

Em depoimento à Polícia Federal (PF), Daniel Vorcaro negou ter pago vantagens indevidas a Paulo Sérgio Neves de Sousa e Bellini Santana, servidores do Banco Central (BC) investigados por suposta atuação em favor do Banco Master. O ex-dono da instituição, porém, admitiu ter oferecido a Paulo Sérgio um serviço de concierge durante uma viagem que ele faria com a família para a Disney, nos Estados Unidos. O depoimento, prestado na sexta-feira (28), foi revelado pelo Metrópoles e também obtido pela TV Globo. As informações são do G1.

Ao ser questionado pelos investigadores, Vorcaro afirmou que o serviço foi oferecido como um “agrado” e fazia parte de uma estrutura que já disponibilizava para outras pessoas. “Eu ofereci como um agrado, até porque não era um valor específico, se eu não me engano, para utilização”, declarou. O ex-banqueiro disse ainda não se recordar se Paulo Sérgio havia ressarcido ou pago pelo serviço, mas afirmou acreditar que não, justamente porque teria feito a oferta como cortesia.

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Paulo Sérgio era diretor de Fiscalização do BC, enquanto Bellini Santana ocupava o cargo de chefe de departamento ligado à supervisão bancária. Os dois foram afastados em março pelo ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo as investigações, os servidores teriam fornecido orientações sobre procedimentos administrativos e regulatórios, além de revisarem documentos enviados pelo banco e repassarem informações que poderiam permitir a Vorcaro antecipar medidas do Banco Central.

Vorcaro está preso preventivamente desde março deste ano e já havia sido detido na primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, sendo posteriormente liberado por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Em manifestação após o depoimento, a defesa afirmou que foi a primeira oportunidade para o ex-banqueiro responder diretamente a parte das acusações e que ele se manifestou “de forma clara e consistente”, negando a existência de corrupção envolvendo os servidores investigados.

A defesa de Paulo Sérgio, por sua vez, afirmou que todas as despesas da viagem dele e da família para Orlando, na Flórida, foram pagas pelo próprio servidor e “devidamente comprovadas”. Os advogados também disseram que Paulo Sérgio “tem demonstrado sua atuação escorreita na regulação prudencial e supervisão” do BC e que não existem “quaisquer elementos de prova” que indiquem que ele ou sua equipe tenham beneficiado Vorcaro.

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