Política

Vorcaro usa jato com aliado do PCC para mandar fortuna para Ciro Nogueira, diz PF

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é acusado de enviar montante significativo a Ciro Nogueira em operação suspeita.  |  Divulgação - Pedro França/Agência Senado

Publicado em 16/06/2026, às 15h34 - Atualizado às 15h35   Divulgação - Pedro França/Agência Senado   Daniel Serrano

A Polícia Federal (PF) identificou indícios de que o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, enviado R$ 350 mil em espécie para senador Ciro Nogueira (PP) através em um jato executivo que transportava o empresário Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, apontado como integrante de um esquema de fraudes no setor de combustíveis ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). As informações são da coluna de Malu Gaspar, no jornal O Globo. 

A informação foi enviada pela PF em uma representação tornada pública nesta terça-feira (16) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do inquérito que investiga as irregularidades cometidas por Vorcaro. De acordo com os investigadores, o montante teria sido transportado em um jato da Táxi Aéreo Piracicaba (TAP), alvo da Operação Carbono Oculto, que investiga o esquema liderado por Beto Louco e Mohamad Hussein Mourad, o Primo.

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Em uma troca de mensagens obtidas pelos investigadores, Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, apontado como seu operador financeiro, cobram o pagamento do valor a Ciro Nogueira no dia 6 de agosto de 2025, quando o Master tentava vender parte de seus ativos para o Banco BRB. “Resolve Ciro e galerias hoje. Manda agora lá”, escreveu Vorcaro. 

Em seguida, Zettel diz que uma transferência TED não havia chegado e passa uma relação dos valores pendentes. Então, Vorcaro diz que vai realizar parte das transferências naquele momento e pede para que o cunhado priorize as pendências referentes ao senador.

Os investigadores chegaram à conclusão ao cruzar a data da conversa com o relato do piloto Mauro Caputti Mattosinho, que trabalhou até setembro do ano passado na Táxi Aéreo Piracicaba, à imprensa de que teria transportado um malote no mesmo dia (6 de agosto), em um voo com Beto Louco entre os passageiros. A aeronave se deslocou entre São Paulo e Brasília. 

Ainda segundo os investigadores, o piloto revelou em entrevistas que o empresário citou Ciro Nogueira em diversos momentos durante o trajeto. Mattosinho teria perguntado se “estava tudo certo com o Ciro” e se “o Ciro já estava os aguardando”.

Beto Louco é um dos principais alvos da Operação Carbono Oculto e está foragido. Ele vem tentando, ao longo dos últimos meses, negociar uma delação com a Justiça brasileira. 

Em outras mensagens obtidas no celular de Daniel Vorcaro, a PF identificou que o dono do Banco Master usou o mesmo jato em diversas ocasiões “para viagens de seus interesses”. Para os investigadores, o cruzamento das informações “indica fortemente a prática dos crimes de corrupção passiva e ativa”.

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