Salvador

Caso Clivan: Quatro meses após mutirão que deixou pacientes sem visão, prefeitura de Salvador revela situação dos afetados

Após quatro meses, familiares e pessoas que perderam a visão durante atendimentos ainda cobram assistência dos órgãos competentes  |  BNews/Devid Santana

Publicado em 07/07/2026, às 08h00 - Atualizado às 08h18   BNews/Devid Santana   Cibele Gentil

Pacientes e familiares de pessoas afetadas durante um mutirão oftalmológico realizado na Clínica Clivan voltaram a protestar na manhã desta segunda-feira (6), em frente ao prédio da unidade, em Salvador. Quatro meses após o caso, os manifestantes cobram assistência dos órgãos competentes. Pelo menos 33 pessoas tiveram perda parcial e irreversível da visão, além de outros problemas de saúde.

O mutirão ocorreu em fevereiro deste ano. Segundo a Polícia Civil, responsável pela investigação, 138 pacientes foram atendidos na ação.

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As responsabilidades pelos danos seguem sob apuração do Ministério Público da Bahia (MPBA) e com acompanhamento da Defensoria Pública. O MPBA informou que adota medidas para apurar a relação entre os procedimentos realizados e os danos relatados, além de coletar informações técnicas sobre as condições de funcionamento da clínica.

Profissionais afastados
Três médicos investigados foram afastados por decisão da Justiça. Também foi cumprido mandado de busca e apreensão no endereço da clínica, na Avenida Garibaldi, onde ocorreram os procedimentos.

O Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) informou que há processos em andamento relacionados ao caso. Em nota, o órgão detalhou que “tramitam no Tribunal de Ética Médica uma denúncia em análise de admissibilidade, seis sindicâncias instauradas e dois processos”.

O Cremeb destacou ainda que, por determinação do Código de Processo Ético-Profissional, todos os casos seguem sob sigilo. A entidade acrescentou que eventuais sanções públicas serão divulgadas após decisão definitiva.

Posição do Estado
A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) informou que a clínica não disponibiliza vagas para a rede estadual desde dezembro de 2025. A pasta também afirmou que nenhum dos pacientes envolvidos foi encaminhado pela regulação estadual.

O que diz a Prefeitura
A Secretaria Municipal da Saúde de Salvador (SMS) informou que 26 pacientes que apresentaram complicações após os procedimentos seguem em acompanhamento especializado. Segundo a pasta, a assistência é prestada de acordo com a necessidade clínica de cada caso.

Ainda conforme a SMS, pacientes com perda visual parcial ou total estão em processo de reabilitação, com planos terapêuticos individualizados.

A secretaria destacou que, por força da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), não divulga informações detalhadas sobre a evolução clínica dos pacientes.

No campo sanitário, a SMS informou que o centro cirúrgico da Clínica Clivan permanece interditado, sem autorização para realização de procedimentos oftalmológicos.

Classificação Indicativa: Livre


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