Salvador
Publicado em 15/09/2026, às 05h00 Reprodução/Bnews TV Analu Teixeira e Rafaela Kalil
Um bar simples, instalado em uma comunidade tradicional de Salvador, passou a receber visitantes de diferentes partes do Brasil e até do exterior. Na Gamboa de Baixo, o Bar da Mônica ganhou projeção nas redes sociais e ajudou a transformar a região em um destino procurado por quem busca não apenas comida, mas também contato com o mar, a cultura e o cotidiano da comunidade.
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O movimento começou de maneira despretensiosa, segundo Mônica Arcella, proprietária e idealizadora do estabelecimento, foram as sobrinhas que começaram a publicar nas redes sociais os pratos preparados no local. As postagens fizeram o número de seguidores crescer e, pouco a pouco, o bar passou a ser indicado por pessoas que já haviam conhecido o espaço.
“Começou com uma brincadeira de sobrinha, botando em redes sociais as comidas boas, que elas comiam bem. Aí começou a ganhar seguidores”, contou Mônica em entrevista ao Bnews.
Hoje, a movimentação ultrapassa as mesas do restaurante. Quem trabalha na região também percebeu a chegada de um público diferente, formado por visitantes de outros bairros, turistas brasileiros e estrangeiros.
Aldineia Reis, dona do Bar da Neia, vizinho ao estabelecimento, conta que o fluxo de estrangeiros chegou a criar situações curiosas no dia a dia. “Tem turista aqui que eu às vezes... eu preciso tomar um curso, porque até então não consigo saber o que eles falam, nem eles sabem o que eu falo”, brincou.
Para quem trabalha há anos na comunidade, o crescimento do turismo também representa uma oportunidade de manter a renda sem precisar sair do bairro. Simone Santos, que há duas décadas mantém um tabuleiro de acarajé próximo à região, acompanha essa mudança de perto.
“Tem muito turista de tudo quanto é lugar, vem turista do mundo inteiro aqui procurando a gente. Eu acho bom, né? Que a gente vende, a gente não precisa mais sair daqui”, afirmou.
A transformação também é percebida por quem nasceu e cresceu na Gamboa de Baixo. Aos 73 anos, Vilma Tertuliana dos Santos mora na comunidade desde sempre e vê a chegada dos visitantes como uma forma de apresentar um lugar que, apesar das dificuldades e do estigma associado às favelas, também reúne história, cultura e moradores que constroem suas vidas ali.
“Progresso, né? Tem que vir, né? Mesmo que seja favela, mas tem que vir”, disse.
Para ela, a presença de visitantes não é algo completamente novo. Vilma lembra que, quando era criança, pessoas de outras regiões de Salvador já frequentavam a praia da Gamboa. A diferença, agora, está na dimensão desse fluxo.
A fama do Bar da Mônica também atravessou as fronteiras da Bahia. O jornalista João Desson Alves, que saiu do Amapá para conhecer o estabelecimento, contou que descobriu o local por indicação de um amigo que conheceu em uma viagem ao Rio de Janeiro.
“Se eu pudesse fazer esse rolê todos os dias, comer uma moquequinha aqui e dar um mergulho no rio, eu poderia fazer”, contou.
A combinação entre gastronomia e paisagem é justamente um dos elementos que ajudaram a consolidar o Bar da Mônica como um dos pontos conhecidos da Gamboa. O estabelecimento está instalado sobre um píer, com acesso ao mar e vista para a Baía de Todos-os-Santos, e é tradicionalmente associado às moquecas e aos pratos de frutos do mar.
O crescimento do turismo acontece, porém, enquanto a própria Gamboa passa por mudanças estruturais. A região está em obras de requalificação, incluindo intervenções no Cais da Gamboa e a construção de um novo píer. O projeto prevê melhorias urbanas e busca também estimular atividades turísticas e econômicas no local.
Mesmo com as intervenções, o movimento continua, Mônica conta que o espaço do bar está reduzido durante as obras, mas o estabelecimento segue funcionando dentro das possibilidades, especialmente aos domingos.
No fim, a história do Bar da Mônica acabou se misturando à própria história recente da Gamboa de Baixo. O que começou como uma publicação nas redes sociais ajudou a levar novos olhares para uma comunidade que já tinha sua própria gastronomia, seus trabalhadores, pescadores, comerciantes, histórias e paisagens.
Veja a reportagem completa: