Salvador
Publicado em 20/10/2026, às 15h16 Bnews Alex Torres e Sophia Souza
Nesta terça-feira (20) aconteceu o velório da baiana de acarajé Regina Santos Conceição, que comandava o Acarajé da Regina, no Cemitério Bosque da Paz. Ela faleceu nesta segunda-feira (19) e a causa da morte não foi divulgada.
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Durante o velório, familiares e amigos aproveitaram para se despedir e relembrar o legado que Regina deixou para todos.
Para Osvaldo Nunes, compadre de Regina, a comadre era uma pessoa muito dedicada que ajudava a todos. “Ela não tinha um momento ruim pra ela. Todo tempo ela sempre foi aquela ali que você tá vendo aí no quadro. Pessoa muito decente, muito dedicada. Boa pra todo mundo”, disse ao BNews.
A sobrinha de dona Regina, Laís Moreira, comentou sobre a quantidade de pessoas que foram dar o último adeus e que isso era fruto da ajuda que a tia oferecia a todos
A gente vê que o pessoal de Pituaçu, todo em peso aqui, prestigiando, dando esse último adeus [...] A gente acaba de perder uma pessoa que transformou a vida de todo um bairro. Não era só o molho de acarajé, gente. Era emprego, era legado, era tradição, era felicidade, era alegria, caruru. Era tudo de bom. A dona Regina vai embora deixando o coração da gente cheio de alegria”, declarou à reportagem.
João Carlos, irmão da baiana do Acarajé, destacou o carinho que o bairro de Pituaçu tinha por ela. “Todo mundo adora ela, todo mundo amava ela. Era uma pessoa muito querida ali em Pituaçu. Nasceu, cresceu e se criou ali em Pituaçu. Era de uma família de Tapajós, era de Tapajós e com quilombolas. E é isso, minha irmã, foi uma pessoa maravilhosa, ajudava todo mundo”.
Neta de baiana de acarajé, Regina foi a primeira de suas irmãs a aprender a fazer o quitute e começou neste trabalho aos 19 anos na praia de Patamares, próximo ao da avó, que ficava em Pituaçu. Entretanto, se mudou para a Avenida Euclides da Cunha, na Graça, marcando o comércio da região.
Para Luciano Moreira, também sobrinho da Regina, os ensinamentos permanecerão mesmo após a partida dela.
Ela ensinou a gente a mexer o vatapá, lavar feijão, bater a massa e tudo direitinho. Porque são cinco horas que tem que ficar para tirar todos os gases, então a gente não vai perder. Quem está falando que fulano morreu e acabou. Negativo”, afirmou.
Laís falou também sobre a manutenção desse legado, principalmente por parte da família. “E pra gente, tia Regina, onde quer que você esteja, a gente vai honrar teu nome. A tua família tá aqui, firme e forte”.
João Carlos espera que os filhos e sobrinhos continuem com as tradições que Regina mantinha em vida e que ela, antes de falecer, pedia que dessem continuidade aos seu trabalhos.
É outra coisa também que ela antes de morrer falou com todo mundo: ‘Olha continue com meu legado’. O legado é o seguinte: é o caruru dela que ela dá todo ano em outubro, é o aniversário dela, para chegar e dar um bocado de coisa aos moradores de rua, entendeu? Então é isso que a filha dela, minha sobrinha, tem que fazer”, afirmou.
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