Salvador
Publicado em 10/07/2026, às 12h40 Foto: Ilustrativa - Valter Pontes/Secom/PMS Cibele Gentil
A prefeitura de Salvador lançou edital para um novo concurso público para vagas na Rede Municipal de Ensino. Serão 190 vagas para início imediato e também haverá formação de cadastro reserva. Publicado nesta quinta-feira (9), o edital traz novidades na avaliação dos candidatos, que deverão se inscrever até o próximo dia 7, com pagamento de uma taxa correspondente de R$ 220.
O valor pegou muitos candidatos desprevenidos. Através de mensagens, leitores do BNews manifestaram a surpresa e insatisfação com a cobrança. Para alguns, que pretendem prestar o concurso por estarem fora do mercado de trabalho, o montante necessário para participar do certame está além das expectativas e possibilidades de gastos.
Para entender o que há por trás da tarifa, a redação do BNews conversou com o professor Marcos Barreto, mestre em Políticas Sociais e Cidadania. Para o professor, que também integra o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB) e o Conselho Municipal de Educação (CME) de Salvador, a taxa de inscrição realmente está alta.
“Não é somente a percepção do concurseiro. O parâmetro para dizer que está caro é a própria média das taxas de concursos da Fundação Getúlio Vargas”, disse Marcos Barreto. Ele explicou que a maioria dos concursos da fundação para nível superior, o valor médio praticado para a inscrição varia entre R$ 120 e R$ 190 no máximo. “Normalmente, acima de R$ 200 só é praticado para concursos de ‘alto escalão’, como para magistratura e auditor, vinculados a um patamar salarial diferenciado”, esclarece o professor.
De acordo com Marcos Barreto, a taxa determinada “realmente está fora da realidade dos concursos que nós estamos habituados a acompanhar”. Para ele, o valor razoável deveria ficar em R$ 120 ou, no máximo, R$ 150. “Ainda é um valor caro, mas seria dentro da média praticada no Brasil”, disse.
Conquista para a cidade e investimento municipal
O sindicalista destaca que o próprio concurso é uma vitória para a Educação e para a categoria. “A realização do edital é uma grande vitória pra cidade de Salvador e, inclusive, foi pauta da greve que aconteceu no ano passado”, lembrou, dizendo ser “uma forma de revitalizar e de valorizar a educação pública, que nesse momento vem sofrendo com uma série de perdas”.
De acordo com o Marcos Barreto, a contração de novos profissionais é necessária para suprir as vagas existentes e ainda prever as que devem surgir com as aposentadorias iminentes. “Nós vamos ter aí nos próximos dois anos, algumas centenas de aposentadorias, pois tem algumas centenas de professores apenas aguardando o deferimento”, alertou.
Outro benefício do concurso seria a contratação de professores para suprir as vagas que hoje são ocupadas através de regime temporário. Segundo o sindicalista, Salvador teria hoje mais de 12 mil profissionais da educação contratados por Regime Especial de Direito Administrativo (Reda). “É um contrato temporário e precarizado. Você ganha o salário, mas quando o contrato é encerrado, você não tem nenhuma vantagem, nenhum direito trabalhista, não tem não tem FGTS ou outro tipo de garantia ou assistência”, comentou.
Mudança do edital não justifica valor
A seleção de novos professores para o quadro da Rede Municipal neste certame terá uma etapa a mais. Conforme explicou Marcos Barreto, o edital, além das avaliações escritas, também prevê a realização de uma prova prática. A inovação implica na realização de uma avaliação prática e individual para os candidatos que atingirem a pontuação e a linha de corte da seleção.
Apesar do incremento no processo de avalição, na opinião do professor, o custo extra não deveria recair sobre o candidato e deve ser pago pelo município como forma de investimento para a educação. Segundo ele, a nova etapa será benéfica para avaliar a capacidade pedagógica dos novos servidores.
“É uma inovação interessante, acho que a cidade vai ganhar com isso, a educação vai ganhar com isso. Mas, ainda assim, o valor da inscrição está caro. Se por conta disso o processo tivesse um custo adicional, que isso fosse subsidiado pela Prefeitura de Salvador”, opinou.
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