Salvador
Publicado em 29/08/2026, às 06h00 Uiler Costa/National Geographic Héber Araújo
Ao longo de 477 anos, Salvador se desenvolveu e se dividiu em 171 bairros, mas esse número está prestes a aumentar. Isso porque a criação de um novo baiarro é articulada por moradores dos condomínios Paralela Plus, Biosphere, Lagoa Encantada, Bosque da Mangueira, Vivenda do Futuro e Solar dos Pássaros, localizados nas imediações da Avenida Luís Viana Filho, conhecida com Avenida Paralela. O novo bairro será batizado de Paralela Ville.
Ao BNEWS, o arquiteto e síndico do Condomínio Paralela Plus, Gerson Luiz Lima, afirmou que a ideia surgiu da necessidade de organização urbana e segurança. O síndico revelou que partiu dele a iniciativa de criar um novo bairro na capital baiana. A mobilização começou após uma mudança no CEP da região onde mora, que deixou de ser vinculada ao Doron e passou a ser associada à Narandiba.
Segundo ele, a mudança ocorreu há cerca de dois anos, mas não foi refletida no IPTU, que continuou caro. Para Gerson, a principal diferença foi que os condomínios passaram a ser associados a um bairro marcado por conflitos armados e pela violência vivenciada na região de Narandiba.
“Nós não pagamos o IPTU de Narandiba. O IPTU do meu apartamento é de mais de dois mil reais. E aí você desvaloriza uma área que tem um imposto alto, que é uma área de rua fechada, com outros tipos de privilégio [...] não é uma questão discriminatória, mas uma questão financeira e fiscal. Nós moramos em uma área que pagamos um IPTU alto enquanto estamos associados a uma imagem de um bairro violento”, disse.
Conforme Gerson, a ideia de criar um novo bairro foi desenvolvida logo após a mudança de CEP e abraçada pelos moradores e síndicos dos condomínios vizinhos, com a proposta de criação do Paralela Ville.
“Nós tínhamos dois nomes, que eram esse [Paralela Ville] e Laguna Ville – por causa da Lagoa paraíso – e estamos em trâmites para isso”.
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Segundo o síndico e idealizador do novo bairro, a ideia é colocar o bairro na intercessão entre os bairros do Doron, Narandiba e Imbuí. Se estendendo da entrada de Narandiba até a entrada do Saboeiro, pegando Imbuí Prime, o viaduto do Imbuí e o Shopping Amazonas.
“Nós temos uma perimetral grande, que dá uma divisa com Doron e Saboeiro. O bairro estaria englobado na divisa entre Narandiba, Imbuí e Saboeiro. Estaria nesse meio. Parece até que a gente é solto, que não somos de ninguém, porque oficialmente não estamos no Imbuí, nem em Narandiba nem Saboeiro. Nós estamos atrás de um posto de gasolina e parece que esqueceram a gente, enquanto pagamos um IPTU absurdo”, declarou.
Gerson afirmou que todo o processo para levar a proposta até a Câmara de Salvador está escrito e já há um vereador envolvido e apoiado a comunidade para desenvolver o projeto. O síndico, no entanto, não revelou o nome do parlamentar, alegando não querer prejudicar a tramitação da proposta antes de chegar, de fato, na CMS.
Ele afirmou ainda que, antes mesmo do primeiro turno das eleições – marcado para 4 de outubro – o projeto será protocolado e apresentado aos demais vereadores de Salvador. Gerson contou ainda que, neste momento, está sendo desenvolvida uma associação de moradores para ocorrer o abaixo assinado, para que os parlamentares municipais vejam o apoio dos moradores da região.
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Em 2017 foi sancionado a Lei Municipal nº 9.278, conhecida como Lei de Bairros de Salvador, onde ficou determinado que um bairro é “unidade territorial com densidade histórica e relativa autonomia no contexto da cidade, que incorpora noções de identidade e pertencimento dos residentes e usuários”.
Para criar um novo bairro, a região precisa atender os critérios estipulados pela lei, mas, acima de tudo, os moradores da região precisam desenvolver um sentimento de pertencimento, para dar início ao processo. De forma legal, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur) precisa fazer estudos com base em critérios previsto na lei de bairros.
Na sequência, um vereador precisa apresentar um projeto com a proposta de criação do novo bairro que precisa ser debatido, votado e aprovado pelos vereadores de Salvador na Câmara Municipal. Ao ser enviado para sanção, fica a cargo do prefeito de Salvador assinar um Ato Declaratório (Decreto) fixando os limites no mapa oficial da cidade.