Salvador

MPF abre investigação sobre poluição no mar de São Tomé de Paripe após relatório do Inema

Relatório do Inema aponta surgimento de substâncias nocivas ao meio ambiente no mar de São Tomé de Paripe  |  Matheus Lemos/Inema

Publicado em 18/05/2026, às 10h02   Matheus Lemos/Inema   Matheus Simoni

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito civil para investigar a contaminação ambiental em São Tomé de Paripe, no subúrbio ferroviário de Salvador, supostamente causada por atividades do Terminal Marítimo de Granéis (TMG), batizado de Terminal Itapuã. A investigação foi formalizada por meio de uma portaria publicada nesta segunda-feira (18), assinada pela procuradora da República Vanessa Gomes Previtera.

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Segundo o MPF, o inquérito busca apurar a presença de compostos nitrogenados e cobre na areia, nas águas costeiras, nos sedimentos e na biota da região de São Tomé de Paripe. A apuração também investiga relatos de mortandade de animais marinhos e possíveis impactos à fauna aquática, além de verificar se houve descumprimento de condicionantes ambientais estabelecidas em licença emitida pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema).

Relatório do Inema aponta contaminação

A instauração do inquérito ocorre após a emissão de um parecer técnico do Inema, concluído em maio de 2026, que confirmou a contaminação ambiental na região. Segundo o relatório, foram identificados indícios de contaminação da água, dos sedimentos e da biota local por substâncias químicas relacionadas às operações do terminal marítimo.

Entre as primeiras medidas determinadas pelo MPF estão a solicitação de reunião com a 1ª Promotoria de Justiça de Meio Ambiente de Salvador, do Ministério Público do Estado da Bahia, para alinhamento sobre a investigação. Também foi feito um pedido de compartilhamento de documentos e procedimentos já existentes sobre o caso. O MPF ainda cobrou a inclusão nos autos do relatório de fiscalização ambiental elaborado pelo Inema.

O inquérito deverá aprofundar as investigações para avaliar eventual responsabilização civil e ambiental pelos danos identificados.

O terminal é operado pela Intermarítima Portos e Logística, que nega irregularidades. Em nota, o Terminal Itapuã comentou o surgimento das substâncias na praia e afirmou que tem colaborado com as investigações. “Desde as primeiras surgências, o Terminal Itapuã colocou-se inteiramente à disposição do órgão ambiental, prestando esclarecimentos para auxiliar nas investigações”, diz o comunicado.

A empresa informou ainda que encaminhou ao órgão ambiental informações sobre as substâncias utilizadas no terminal e declarou que as que apresentam coloração azul e amarela encontradas no sedimento arenoso possuem "aspecto incompatível com aquelas movimentadas pelo atual operador".

Em abril do ano passado, o MPF já tinha publicado um inquérito para investigar o surgimento de substâncias.

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