Salvador
Publicado em 01/09/2026, às 06h00 Reprodução/MPF Matheus Simoni
O Ministério Público Federal (MPF) recomendou à reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA) que suspenda o andamento da licitação para a segunda etapa das obras do edifício anexo da Escola Politécnica até que a própria universidade conclua um plano interno de reorganização da unidade. A recomendação foi assinada pelo procurador da República Fabio Conrado Loula, do 14º Ofício da Tutela Coletiva da Procuradoria da República na Bahia, e publicada nesta terça-feira (01).
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A recomendação está relacionada à Concorrência Eletrônica nº 90001/2026, que trata do processo de contratação integrada aberto pela UFBA para executar a segunda etapa do prédio anexo da Escola Politécnica. Essa obra é a mesma que já havia sido alvo de um inquérito civil anterior do MPF, aberto em agosto para apurar supostas irregularidades na gestão de R$ 35 milhões em recursos federais do programa Novo PAC Universidades destinados à conclusão do edifício, parado desde 2016.
Segundo o MPF, a destinação dos espaços do prédio anexo está diretamente ligada ao Plano de Reestruturação/Reorganização da Escola Politécnica (PREP), que envolve decisões sobre a própria organização acadêmica da unidade, como a criação, modificação ou extinção de departamentos e a distribuição física dos espaços entre eles.
Na avaliação do procurador, esse tipo de decisão, de acordo com o regimento da UFBA, precisa passar pelo Conselho Universitário (Consuni), mas o processo administrativo que trata do PREP ainda está em tramitação na Reitoria, com uma comissão analisando o tema antes de submetê-lo ao colegiado.
O BNews teve acesso às imagens do local, que apresenta alto grau de deterioração e está com as obras paradas desde 2016. Confira:
Diante da pendência apresentada pelo MPF, a Procuradoria Federal junto à UFBA já havia emitido parecer considerando juridicamente arriscado licitar a obra por completo com base em um projeto ainda não aprovado pelas instâncias competentes. Por outro lado, o mesmo parecer admitiu a contratação de um "escopo certo", com obras de infraestrutura e áreas comuns que não dependem das definições sobre o uso final do prédio.
O MPF constatou, porém, que não há uma decisão administrativa clara determinando o prosseguimento desse "escopo certo", nem definindo com precisão seus limites e sua compatibilidade com o que já havia sido aprovado pela Congregação da Escola Politécnica em junho de 2025. Na época, o colegiado aprovou, por maioria, uma proposta chamada "Projeto B" para a segunda etapa do PREP.
Em uma reunião realizada durante a apuração do MPF, essa divergência ficou evidente: uma representante da Superintendência de Meio Ambiente e Infraestrutura (Sumai) afirmou que o projeto em licitação atenderia à decisão da Congregação, mas o diretor da Escola Politécnica discordou imediatamente dessa avaliação.
Para o procurador, essa divergência não autoriza o Ministério Público a decidir, no lugar da universidade, qual seria a melhor solução técnica ou administrativa. No entanto, ela evidencia que a própria UFBA precisa resolver a controvérsia internamente antes de seguir com uma contratação milionária. Segundo a recomendação, dar prosseguimento à licitação antes dessa definição poderia vincular a universidade a uma solução construtiva cuja compatibilidade com o PREP ainda está em disputa interna, criando uma situação difícil de reverter depois.
O documento ressalva que a recomendação não fere a autonomia universitária garantida pela Constituição, já que não trata da conveniência da solução de engenharia escolhida, mas da necessidade de que exista uma decisão administrativa válida e motivada, tomada pela instância competente, antes de a contratação avançar.
Entre os pontos da recomendação, o MPF pede que a UFBA:
A UFBA tem dez dias úteis, a partir do recebimento da recomendação, para informar ao MPF se vai acatá-la e quais providências foram adotadas. O documento alerta que o eventual descumprimento pode levar o Ministério Público a adotar medidas legais e judiciais cabíveis.
Atualmente, a reitoria da UFBA é comandada por Paulo Miguez, que fica no cargo até o dia 3 de setembro, quando passa o cargo para João Carlos Salles, eleito para o período 2026-2030.
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